Vídeo gravado pela PF mostra ‘resultado’ da corrupção no Incra
Vídeo gravado pela Polícia Federal no bojo da “Operação Donatários”, mostrado durante coletiva de imprensa na sexta-feira passada, revela o mal que a corrupção no Incra trouxe a milhares de assentados no Maranhão.
O senhor da gravação se chama Domingos. Ele deveria deixar a casa de taipa sem luz onde mora por uma de alvenaria construída pelo Incra ao lado da sua. No local, só se vê mato e lixo. Domingos conta que assinou um documento comprovando a “construção” da residência. “Eu assinei porque quando cheguei lá pensei que era reunião de visita. Depois foi que me disseram que era para eu dar testemunho que já tinha recebido a casa”, afirma ele. Clique e veja:
O esquema funcionava da seguinte forma: o Governo Federal mandava os recursos para a construção das casas em projetos de assentamentos, só liberados para as associações cujos presidentes pudessem ser cooptados pela “teia criminosa”, mediante o ofercimento de vantagens.
Depositado o dinheiro nas contas dessas entidades, os técnicos do Incra e Iterma, envolvidos no esquema, elaboravam relatórios de medição técnica das construções, atestando a entrega de materiais de construção e/ou execução de obras inexistentes.
Isso era feito muitas vezes sem que os técnicos sequer comparecessem aos assentamentos, valendo-se de documentos falsos por eles produzidos, fornecidos por lobistas, construtores ou por presidentes das associações. Para que os assentados não desconfiassem da fraude, por vezes, a construção das casas era apenas iniciada e, em seguida, abandonada.
Fechando o esquema, a Superintendência do Incra determinava ao banco o pagamento dos construtores envolvidos com a fraude, que tratavam, então, de repartir os ganhos ilícitos com os demais membros da organização criminosa.
Prisões
Ao contrário do que alguns órgãos de imprensa vêm divulgando, a PF não está pedindo ao Tribunal de Justiça do Maranhão a prisão de mais seis pessoas acusadas de participação no esquema. No final do ano passado, a PF pediu a prisão dos 55 investigados, o que foi negado. Agora está recorrendo em seis casos ao TRF (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região, em Brasília.










