Vídeo gravado pela PF mostra ‘resultado’ da corrupção no Incra

Vídeo gravado pela Polícia Federal no bojo da “Operação Donatários”, mostrado durante coletiva de imprensa na sexta-feira passada, revela o mal que a corrupção no Incra trouxe a milhares de assentados no Maranhão.

O senhor da gravação se chama Domingos. Ele deveria deixar a casa de taipa sem luz onde mora por uma de alvenaria construída pelo Incra ao lado da sua. No local, só se vê mato e lixo. Domingos conta que assinou um documento comprovando a “construção” da residência. “Eu assinei porque quando cheguei lá pensei que era reunião de visita. Depois foi que me disseram que era para eu dar testemunho que já tinha recebido a casa”, afirma ele. Clique e veja:

O esquema funcionava da seguinte forma: o Governo Federal mandava os recursos para a construção das casas em projetos de assentamentos, só liberados para as associações cujos presidentes pudessem ser cooptados pela “teia criminosa”, mediante o ofercimento de vantagens.

Depositado o dinheiro nas contas dessas entidades, os técnicos do Incra e Iterma, envolvidos no esquema, elaboravam relatórios de medição técnica das construções, atestando a entrega de materiais de construção e/ou execução de obras inexistentes.

Isso era feito muitas vezes sem que os técnicos sequer comparecessem aos assentamentos, valendo-se de documentos falsos por eles produzidos, fornecidos por lobistas, construtores ou por presidentes das associações. Para que os assentados não desconfiassem da fraude, por vezes, a construção das casas era apenas iniciada e, em seguida, abandonada.

Fechando o esquema, a Superintendência do Incra determinava ao banco o pagamento dos construtores envolvidos com a fraude, que tratavam, então, de repartir os ganhos ilícitos com os demais membros da organização criminosa.

Prisões

Ao contrário do que alguns órgãos de imprensa vêm divulgando, a PF não está pedindo ao Tribunal de Justiça do Maranhão a prisão de mais seis pessoas acusadas de participação no esquema. No final do ano passado, a PF pediu a prisão dos 55 investigados, o que foi negado. Agora está recorrendo em seis casos ao TRF (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região, em Brasília.

Diretores da Vale admitem corrupção de funcionários

Os diretores da Vale Dorgival Pereira (gerente-geral de Relações Institucionais), Luiz Fernando Landeiro (Logística) e Rogério Amaral (Contratos) admitiram na sexta-feira passada, durante reunião com os deputados Gastão Vieira (PMDB) e Pinto Itamaraty (PSDB), a corrupção praticada por funcionários da companhia.

“Toda empresa está passível de corrupção. Na Vale existem corruptos, drogados e gente do bem como toda companhia. Temos mais de 5 mil funcionários e não estamos livres deste tipo de pessoa”, disseram.

Os diretores se referiam ao e-mail em que o fiscal de obras Paolo Coelho revela um suposto esquema de cobrança de propina das empresas contratadas pela Vale (reveja). A denúncia foi feita pela WO Engenharia, mais uma empresa maranhense que quebrou após ser contratada pela mineradora.

Os diretores informaram que estão investigando a autenticidade do e-mail. Caso comprovado, Paolo Coelho será demitido. Segundo apurou o blog, cerca de 60 pessoas podem ser afastados da Vale por causa da revelação. “Ele (Paolo) não vai ser o primeiro e nem o último a ser demitido por corrupção”, afirmaram.

Durante a conversa com os deputados e assessores, os diretores tentaram restringir o assunto a uma briga da Vale com a WO Engenharia. No entanto, segundo levantamento ainda informal feito pelo Sinduscon (Sindicato da Construção Civil) do Maranhão, o CDL (Clube dos Diretores Logistas) e a ACM (Associação Comercial) de Parauapebas (PA), cerca de 30 empresas que trabalhavam para a Vale foram à bancarrota nos últimos anos no Maranhão e Pará. O motivo é sempre o mesmo: a mineradora contrata os serviços e depois quer pagar menos do que foi realizado.

O senador Edison Lobão Filho, o Edinho Lobão (PMDB), garantiu ao blog que apresenta nesta terça-feira requerimento convocando a diretoria da Vale para uma audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, da qual ele é vice-presidente.

Além das vítimas, devem ser convidados representantes da classe empresarial e políticos dos dois Estados. A audiência deve acontecer após o Carnaval.

Mirante promove reestruturação administrativa

O Sistema Mirante de Comunicação está divulgando “fato relevante” ao mercado anunciando uma série de mudanças administrativas. A reestruturação foi promovida após um profundo estudo feito por uma consultoria especializada.

Presidente Teresa Sarney comanda reestruturação administrativa na Mirante

Assinado pela presidente da companhia, Teresa Sarney, o informe ressalta “o permanente esforço da empresa em profissionalizar sua gestão, adaptando-a às exigências do mercado e à evolução tecnológica”. Diz ainda que a reengenharia “decorre da necessidade de tornar o grupo empresarial cada vez mais competitivo, com gestão focada em resultados”.

As mudanças não incluem nessa primeira etapa o jornal O Estado Maranhão, mas a TV Mirante, as rádios Mirante AM e FM e Portal Imirante.com.

A reestruturação elevou o então diretor de jornalismo da TV Mirante, jornalista Rômulo Barbosa, ao cargo de diretor-geral de Mídia Eletrônica. Na emissora desde sua fundação em 1987, a Rômulo, formado em Jornalismo e Direito, com duas pós-graduações nessa área, estarão subordinados a TV, as rádios e o portal.

O novo diretor de Jornalimo da TV Mirante é Roberto Prado, ex-coordenador da emissora. Prado tem 31 anos de profissão e já trabalhou na Rede Globo, jornal O Globo, Jornal do Brasil e TV Verdes Mares (Ceará), onde ocupou o mesmo cargo.

O diretor Comercial é o publicitário Márcio Fontinhas, há 20 anos na Mirante. O engenheiro Edson Lima, há 11 anos na empresa, assume a diretoria de Engenharia. Para atender as novas mídias foi criada a diretoria de Novos Negócios. Será comandada por Francisco Alexandre de Mello Franco, o Neto, há 20 anos na Mirante.

O diretor de Planejamento e Controle será Odilon Soares, há 12 anos na companhia. Ele ficará responsável por toda a área administrativo-financeira, tecnologia da informação e infraestrutura. Odilon terá como principal desafio a implantação do “Orçamento Participavo”, espécie de embrião de um programa de participação dos funcionários nos lucros da empresa.

O engenheiro Luis Moraes, que implantou o sistema digital da TV Mirante ano passado, vai virar consultor da emissora. Já Laércio Sousa, que comandava o marketing e planejamento, incorporada pela diretoria de Novos Negócios, está deixando a Mirante para tocar projetos pessoais.

Todos os novos diretores assumem seus postos na segunda quinzena de março.

Exclusivo: veja a relação dos acusados de desvios no Incra

O blog teve acesso com exclusividade aos nomes de 38, dos 55 investigados na “Operação Donatário”, da Polícia Federal, que já identificou desvio de R$ 4 milhões no órgão nos últimos anos.

A relação é encabeçada pelo próprio superintendente afastado do instituto, Benedito Terceiro; do ex-superintendente e presidente do PT, Raimundo Monteiro; e o delegado da Polícia Civil Rubem Sérgio, ex-chefe da Deic (Delegacia Especial de Investigação Criminal), apontados pela PF como “chefes da teia criminosa”. “Não tinha como o esquema acontecer sem o conhecimento deles”, disse o superintende da PF no Maranhão, Fernando Segóvia, em coletiva na sexta-feira.

Terceiro e filho Paulinho estão na relação de investigados. Foto: Douglas Jr.

Consta da relação ainda o filho de Benedito Terceiro, Paulo Renato Pereira Pires, o Paulinho, apontado como “lobista”; o também “lobista” João Batista Magalhães, alvo da “Operação Astiages”, sobre a roubalheira na Prefeitura de Barra do Corda; o empresário João Manoel Gaudêncio da Silva, genro da ex-deputada Helena Heluy (PT); e a servidora da Incra Maria do Socorro Buhatem, ex-mulher do pistoleiro Joaquim Lauristo, assassinado numa emboscada em 2009.

De acordo com o apurado pelo blog, Helena Heluy ficou tão chateada com a suposta participação do genro na “teia criminosa” e do presidente do PT que não quis assinar um documento de petistas em favor de Monteiro (veja aqui). A interlocutores do partido, ela defendeu a apuração rigorosa das denúncias.

Todos os servidores do Incra denunciados na operação foram afastados de suas funções. Entre eles, o ouvidor agrário estadual, Rui Alcides, e o chefe da Divisão de Desenvolvimento de Assentamentos no Estado, Vicente da Silva.

No final do ano passado, foi pedida a prisão de todos os 55 investigados, mas a Justiça Federal no Maranhão negou. A PF está recorrendo ao TRF (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região (Brasília) em relação a seis casos.

Ainda segundo apurou o blog, a PF encontrou uma arma na casa de Benedito Terceiro durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão. Como a arma estava registrada, ela não foi apreendida. À exceção de João Batista Magalhães, a PF fez busca e apreensão na casa ou escritórios de todos os investigados da relação abaixo:

1 – Benedito Terceiro – Superintendente
2 – Raimundo Monteiro dos Santos – Ex-superintendente
3 – Antônio Carlos Trinta Abreu – Servidor
4 – Antonio Vicente da Silva – Servidor
5 – Elmo Sousa Araújo – Servidor
6 – José Albino Silva Boueres – Servidor
7 – José Luís Costa Ferreira – Servidor
8 – José Ribamar Silva Costa – Servidor
9 – Leonísio Lopes da Silva Filho – Servidor
10- Raimundo Félix da Sousa Neto – Servidor
11- Reginaldo do Espírito Santo Ferreira – Servidor
12- Rui Alcides dos Santos – Servidor
13- Almerinda Ferreira Costa – Servidora
14- Leila Raquel Lima Pereira – Servidora
15- Maria do Socorro Sousa Buhatem – Servidora
16- Rubem Sérgio dos Santos – Delegado da Polícia Civil
17- Armando Pires Arruda – Servidor do Iterma
18- Walber Carvalho Braga – Servidor do Iterma
19- Josué Ferreira Carvalho – Presidente de Projeto de Assentamento (PA)
20- Mizael Amorim Pereira – Presidente de Projeto de Assentamento (PA)
21- Antonio Diniz Araújo – Empresário
22- Carlos Magno Rates Lobão – Empresário
23- Enivone da Silva Brasil – Empresária
24- Fernando Santana Rosa – Empresário
25- Francisco de Araújo Sales (“Chico Professor”) – Empresário
26- Francisco Matias da Silva (“Nego Chico”) – Empresário
27- João Manoel Gaudêncio da Silva – Empresário
28- José Paulino Rosa – Empresário
29- Luís Otávio Costa Silva – Empresário
30- Naísa Moura Araújo – Empresária
31- Osnir Rodrigues Fonseca (“Giba”) – Empresário
32- Reginaldo Macedo Ferreira – Empresário
33- Rosilene Correia Bezerra – Empresária
34- Carlos Henrique Fernandes Ribeiro – Lobista
35- Hebeth Macedo Ferreira – Lobista
36- Paulo Renato Pereira Pires – Lobista
37- Zenilton Virinal Ferreira – Lobista
38- João Batista Magalhães – Lobista.

Deu na Veja: Dilma chora ao saber da operação de Roseana

Portal IG repercute matéria da Vale

Ganhou repercussão nacional a série de matérias do blog sobre a Vale. Primeiro foi ga coluna Cláudio Humberto, agora foi o portal IG, um dos maiores do país, que está trazendo a notícia. Em relação ao e-mail Concremat nega sua
existência e a Vale diz estar investigando. Não poderia ser diferente. Leia:

Vale investiga suposto esquema de propina de funcionários no Pará

Por Marina Gazzoni, iG São Paulo:

Um fornecedor da Vale está acusando os funcionários da companhia de praticar um suposto esquema de corrupção que levou ao fechamento da empresa. O sócio da WO Engenharia, Osmar Fonseca dos Santos, que prestava serviços para a companhia na Estrada de Ferro Carajás, em Marabá (PA), afirmou ao iG que funcionários da Vale e da Concremat, empresa contratada para fiscalizar a obra, descontavam 70% do valor dos serviços prestados para pressionar a companhia a pagar propina.

WO Engenharia foi uma das vítimas dos "calotes" aplicados pela Vale no PA e MA

WO Engenharia acusa funcionário da Vale de exigir propina da empresa A Vale confirma que está investigando as acusações internamente. Segunda a empresa, nenhum funcionário foi demitido até o momento. A Concremat afirma que as acusações são falsas.

O pagamento de serviços em obras, em geral, envolve um processo de medição, no qual um fiscal aprova a execução do contrato. Se a conclusão for de que o serviço não foi cumprido conforme o contratado, o pagamento pode ser reduzido.

A acusação da WO Engenharia é de que funcionários da Vale e da Concremat reduziam a medição dos serviços da companhia, o que fazia com que ela recebesse menos, já que se recusava a pagar propina. “Nossa margem é apertada. Os funcionários são orientados a não ceder a essas pressões”, diz Santos.

O empresário afirmou que vai processar a Vale e cobrar uma indenização por danos financeiros. Segundo ele, a companhia tinha 95% da sua receita vinculada a contratos com a Vale e teve um prejuízo de R$ 50 milhões provocado por supostas irregularidades nos pagamentos feitos à companhia. “Não conseguimos suportar os cortes que eles faziam nas nossas medições”, diz Santos. A companhia, que tem sede em São Luís (MA), funcionava há 21 anos, mas encerrou as atividades no fim de janeiro e demitiu 2.500 funcionários.

Esse não é o primeiro desentendimento entre a WO e a Vale. Funcionários da WO bloquearam a Estrada de Ferro Carajás em 25 de janeiro para protestar por atrasos de salários. Na ocasião, a Vale emitiu um comunicado no qual afirmou que não deixou de honrar contratos com prestadores de serviços e que chegou a antecipar os pagamentos a fornecedores para que eles pudessem pagar seus funcionários.

Troca de e-mails

A principal prova que a WO Engenharia diz ter contra a Vale é um e-mail que teria partido do engenheiro Paolo Coelho, funcionário da unidade da Vale responsável pelas obras na ferrovia. Uma cópia desse e-mail, enviada pela WO ao iG, e supostamente destinada ao funcionário da Concremat Luciano Monte, continha as seguintes declarações: “Vamos botar para quebrar com a WO nesta medição, não pode passar de 30% do que eles te mandarem. (…) Não podemos jogar fora tudo que já arrecadamos com os outros, com o nosso salário não dá nem pra pegar ônibus.”

O iG telefonou para Coelho, mas ele não atendeu a reportagem. A Concremat disse ao iG que o e-mail em questão é falso.

‘Monteiro e Benedito Terceiro eram os cabeças da teia criminosa no Incra’, diz superintendente da PF

O superintendente da Polícia Federal no Maranhão, Fernando Segóvia, afirmou agora há pouco em coletiva de imprensa que o superintendente do Incra, Benedito Terceiro; o ex-superintendente do órgão e presidente do PT, Raimundo Monteiro; e o delegado da Polícia Civil Rubem Sérgio dos Santos, eram os “cabeças” do esquema de desvios de recursos públicos no instituto desbaratado na “Operação Donatário”.

A operação foi deflagrada nesta sexta-feira e cumpriu 39 mandados de buscas e apreensão em São Luís e interior do Estado. Rubem Sérgio estava cedido para o Incra. “O superintende autoriza o esquema acontecer”, disse Segóvia.

Questionado se Monteiro e Terceiro não poderiam ter sido usados pela “teia criminosa” , conforme definição de Segóvia, formada por funcionários do órgão, lobistas e empresários, o chefe da CGU (Controlodaria Geral da União) no Maranhão, Roberto Viegas, foi direto: “Não tinha como eles não terem conhecimento”.

O superintende da PF disse que ainda no ano passado foi pedida e negada pela Justiça Federal no Maranhão a prisão dos 55 investigados na operação. A PF recorreu da decisão do juiz federal local ao TRF (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região, em Brasília, em relação a seis dos suspeitos.

A investigação sobre os desvios no Incra vinham sendo realizadas há dois anos. Teve como ponto de partida informações de informante da PF dentro do órgão.

Segundo a CGU, entre 2005 e 2009 o Governo Federal destinou cerca de R$ 500 milhões para a realização de projetos do Incra no Estado.

A investigação foi feita sobre um montante de R$ 20 milhões, dos quais apenas R$ 12 milhões foram sacados para a realização de programas de assentamento. Destes, R$ 4 milhões teriam sido desviados.

Daqui a pouco mais detalhes da operação.

Operação Donatário envolve 55 suspeitos, municípios, Incra e Iterma

A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) desencadearam nesta sexta-feira a Operação Donatário, planejada para dar cumprimento a 39 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal no Maranhão.

A investigação tem âmbito estadual e visa coibir a ação de quadrilha envolvida no desvio de recursos públicos federais da modalidade de crédito instalação, liberados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para construção de casas em projetos de assentamentos em favor de beneficiários do Programa Nacional de Reforma Agrária.

A prova colhida durante a apuração é robusta. Constam do inquérito, por exemplo, 535 fotografias de casas inacabadas, não construídas ou construídas com material de baixíssimo custo (taipa) apesar da liberação de recursos pelo Incra para conclusão dos imóveis.

Realizadas diligências em 16 assentamentos nos municípios de Arame, Morros, Icatu, Santa Helena, Turiaçu, Santa Luzia, Centro Novo e Barrerinhas, foi identificada a participação no esquema de pelo menos 55 pessoas, entre as quais: servidores e ex-servidores do Incra, do Instituto de Colonização e Terra do Maranhão (Iterma), um policial civil (atualmente delegado agrário), construtores, lobistas e presidentes de associações e cooperativas de assentados.

Os integrantes da organização criminosa são investigados pelos crimes dos arts. 288 (quadrilha ou bando), 312 (peculato), 317 (corrupção passiva), 333 (concussão), do Código Penal. Os mandados estão sendo cumpridos em seis cidades do Maranhão (São Luís, São José de Ribamar, Turiaçu, Pindaré-Mirim, Santa Luzia e Buriticupu) por 160 policiais federais e 15 analistas da CGU, recrutados do Maranhão, Ceará, Pará, Piauí, Tocantins e Distrito Federal.

As investigações duraram cinco anos (de 2005 a 2010), quando o Incra disponibilizou quase R$ 500 milhões para o Maranhão em contratos que previam a construção e reforma de casas em assentamentos rurais. Vinte e cinco assentamentos foram vistoriados no Estado, e os fiscais da CGU descobriram indícios de desvio de R$ 4 milhões.

Um líder comunitário do assentamento Flechal, na cidade de Santa Luzia, chegou a ser morto ano passado porque procurou a polícia para denunciar que as casas não vinham sendo construídas. Na época, ele estava sendo obrigado por empreiteiros e técnicos do Incra a assinar notas fiscais atestando que as casas estavam prontas.

O nome da Operação Donatário é uma referência ao título que, na organização colonial portuguesa, era dado à pessoa a quem era concedida a donataria de um território ou capitania, o qual, agindo por delegação do rei, administrava-o, buscando sua colonização e o aproveitamento dos seus recursos.

(Com informações do Imirante.com e Polícia Federal).

Lucro da Vale triplica e atinge R$ 30 bilhões

Da Folha de S. Paulo:

Rio – Superada a crise que derrubou seu lucro à metade em 2009 (R$ 10,3 bilhões), a Vale viveu o melhor ano de sua história em 2010. O resultado da companhia cresceu 192% e atingiu o recorde de R$ 30,1 bilhões no ano passado, impulsionado pelo aumento dos preços do minério de ferro, que dobraram em 2010 e devem seguir em alta.

Sob influência também do crescimento de produção de 29,5% em 2010, o faturamento da Vale ficou em R$ 85,4 bilhões em 2010 – alta de 71% e recorde. O desempenho foi puxado pela maior demanda, principalmente da China – que respondeu por 32% das vendas da empresa.

Foi também graças ao país asiático que os preços do minério saltaram. É que, sob pressão chinesa, a Vale e outras mineradoras abandoaram em 2010 o sistema de reajuste anual válido havia 40 anos e passaram a corrigir seus preços trimestralmente com base no mercado “spot” (à vista e para entrega no curto prazo) da China.

Com a crise, o preço do “spot” despencou no final de 2008, mas rapidamente se recuperou, na mesma velocidade da retomada chinesa – motor da demanda por minério. Diante disso, o preço trimestral de venda das mineradoras subiu e seus lucros foram na mesma toada. “Estamos vivendo nossos melhores dias”, disse, em nota, o presidente da Vale, Roger Agnelli.

A Vale registrou exportações recordes de US$ 29,1 bilhões. “O ano de 2010 foi excepcional, e o cenário de preço para 2011 é bastante promissor, apesar da freada nas cotações no quatro trimestre”, disse Pedro Galdi, analista da corretora SLW.

No quatro trimestre, sazonalmente de menor demanda por minério de ferro, o lucro da companhia atingiu R$ 10 bilhões, com queda de 5% ante o terceiro trimestre. Sobre o mesmo trimestre de 2009, a alta foi de 290%. Segunda relatório do analista Rodrigo Blanco, da corretora Fator, o recuo de preços do minério diminuiu as margens da Vale – o que explica a queda do lucro no quarto trimestre.

Levantamento da consultoria Economática aponta que o lucro da mineradora foi o segundo maior anual da história entre as empresas de capital aberto (com ações no mercado), perdendo somente para a estatal Petrobras.

Em uma lista dos 20 maiores lucros contabilizados por empresas brasileiras de capital aberto, os resultados da Petrobras ainda ocupam a terceira, a quarta, a quinta e a sexta posições, tendo apresentados ganhos entre R$ 28,98 bilhões e R$ 21,51 bilhões.

A Vale registrou lucros robustos em 2008 (R$ 21,28 bilhões) e 2007 (R$ 20 bilhões), que garantiram a sétima e a oitava posição nesse ranking. Leia mais aqui.

Washington reclama da postura ‘neotucana’ de Bira

Em conversa com o blog nesta quarta-feira o vice-governador do Maranhão, Washington Luiz Oliveira (PT), se mostrou incomodado com a postura do deputado Bira do Pindaré (PT) na Assembleia. O petista tem feito críticas ao Governo do Estado e defendido a administração tucana do prefeito João Castelo na capital (reveja).

Bira tem defendido Castelo na Assembleia

Washington disse estar se afastando da executiva do partido, mas espera que a instância investigue a postura do “neotucano”. “A legislação está cada vez mais clara no sentido do mandato pertencer ao partido. A executiva tem de tomar posição em relação a essas posições antipartidárias de alguns de seus membros. Temos de observar a linha do PT”, disse o vice.

Washington também demonstrou irritação com informações recorrentes de membos do PT, “plantadas” em jornais e blogs “balaios”, dando conta da filiação dos secretários Olga Simão (Educação), Luis Fernando Silva (Casa Civil) e Tadeu Palácio (Turismo) no PT.

“Esse pessoal que fica afirmando isso não é mais do PT. A presença de qualquer um desses secretários no partido é mais digno de quem fica ‘plantando’ este tipo de fofoca”, declarou.

Ontem o militante Franklin Douglas, um dos que divulga constantemente essa informação, anunciou sua desfilição do PT e ingresso no PSOL.

Polícia Federal faz operação no Incra

7h20 – A Polícia Federal está cumprindo na manhã desta sexta-feira cerca de 39 mandados de busca de apreensão na sede do órgão, em casas e escritórios de funcionários e acusados de envolvimento em irregularidades e desvios de recurnos no Incra (Instituto Nacional de Reforma Agrária) do Maranhão. As diligências são feitas na capital e interior.

A operação deveria ter sido deflagrada no ano passado, mas a Justiça Federal no Estado negou os pedidos de prisão. O trabalho da PF é feito em parceria com a CGU (Controladoria Geral da União).

O órgão é comandado atualmente pelo ex-deputado Benedito Terceiro, mas a investigação envolveria também administrações passadas.

Na sexta-feira 18 os federais já tinham estado na sede do instituto, no Anil.

Ao todo, o inquérito envolve 55 acusados de ligação com desvios de recursos no órgão. O Incra destinou R$ 500 milhões nos últimos anos ao Maranhão.

Um dos envolvidos seria o lobista João Batista Magalhães. Ele foi alvo da Operação Astiages, que levou para a cadeia dois filhos, o genro e a nora do prefeito de Barra do Corda, Manoel Mariano de Sousa, o Nenzim (PV).

A exemplo do prefeito e da mulher dele Francisa Teles de Sousa, a Santinha, Magalhães passou quatro dias foragido e acabou sendo beneficiado com um habeas corpus concedido pelo STJ.

Durante todo dia mais informações.

Notícias da Noite

Estratégia
O repórter Marcial Lima (Mirante AM) esteve nesta quinta-feira à tarde no Estádio Nhozinho Santos para acompanhar a venda de ingressos do jogo Sampaio X Sport. Ele ficou impressionado com o número de cambistas no local. Teve torcedor que passou até três horas na fila. “Aqui existe mais ingressos à venda nos cambistas que nos postos do estádio”, admirou-se o repórter. Uma fonte da FMF (Federação Maranhense de Futebol) matou a charada. Como parte da renda oficial seria sequestrada pela Justiça do Trabalho, a direção da Bolívia Querida teria facilitado a venda dos ingressos no mercado paralelo.

Joaquim Haickel virou balaio?

O secretário Joaquim Haickel (Esporte) teve um encontro com o ministro do Esporte, Orlando Silva, enrolado até o pescoço com denúncias de irregularidades no programa Segundo Tempo. Joaquim foi pedir apoio do ministério para desenvolver o esporte de alto rendimento no Maranhão. Quer criar um centro de treinamento olímpico no Estado. No entanto, o que chamou a atenção na audiência foram os convidados “balaios” do secretário: o chorão Flávio Dino (PCdoB), e os deputados federais Ribamar Alves (PSB) e Domingos Dutra (PT). Acompanhava a comitiva o ex-secretário Astrogildo Quental.

Desdenhando
Um diretor da Vale identificado como Landeiro teria desdenhado desse blog durante reuniões internas. Ao ser questionado sobre as informações aqui postadas, disparou: “É um bloguizinho sem credibilidade”, teria dito. Cuidado, Doutor Landeiro! O último que nos tratou dessa forma teve de deixar o Porto do Itaqui – vizinho a Vale – atravessando o Boqueirão a nado. E não esqueça: são as pequenas pedras que costumam derrubar os Golias. Depois não diga que eu não avisei!

Homenagem
Genro da desembargadora Nelma Sarney, o deputado e advogado Edilázio Júnior (PV) tem marcado até agora seu mandato por homenagear membros do Poder Judiciário. Fez questão de parabenizar os desembargadores Marcelo Carvalho e Anildes Cruz. Marcelo assumiu a direção da Esmam (Escola Superior da Magistratura do Maranhão). Já Anildes é a nova integrante do TRE.

Ausente
Causador de parte de toda a confusão que resultou na saída de Ricardo Murad (PMDB) da disputa da Assembleia, o deputado Carlos Filho (PV) ainda não deu o ar de sua graça na Casa. O sumido parlamentar queria ser o primeiro-secretário da Mesa Diretora.

Acusado de assassinar ex-prefeito de Imperatriz vai a júri popular

A 2ª Câmara Criminal apreciou recurso de dois acusados de envolvimento no assassinato de Renato Cortez Moreira, em outubro de 1993, à época, prefeito de Imperatriz. Geraldo João da Silva e Geraldo Hipólito da Silva recorreram da decisão judicial que determinou seu julgamento pelo Tribunal do Júri.

Ex-prefeito Renato Moreira

Segundo a denúncia do Ministério Público Estadual, o crime aconteceu quando o então prefeito Renato Moreira estava comprando frutas no Mercado Municipal Bom Jesus e foi alvejado com dois tiros disparados por um pistoleiro, que atingiram o peito e o pescoço da vítima.

O crime teria sido motivado por ato do prefeito de retirar vantagens concedidas pela gestão anterior à empresa Transportes Coletivos Imperial, da qual era sócio majoritário Geraldo Hipólito da Silva, passando a tratá-la de forma idêntica às demais. O MPE informou que a empresa era beneficiada em relação a fiscalizações e arrecadações tributárias, possuindo inclusive o monopólio na exploração das linhas de transportes coletivos urbanos de Imperatriz.

O relator do recurso, desembargador José Bernardo Rodrigues, votou pela manutenção do julgamento de Geraldo João da Silva pelo Júri Popular. Quanto a Geraldo Hipólito, a punibilidade foi extinta pela prescrição, pois o acusado já possuía mais de 80 anos de idade quando de sua pronúncia.

O voto foi de acordo com o posicionamento da Procuradoria Geral de Justiça e foi acompanhado pelos desembargadores Raimundo Nonato de Sousa e Maria dos Remédios Buna.

(As informações são do Tribunal de Justiça).

Vale acusada de aplicar ‘calote’ até em pescadores

Por Jonas Albuquerque:

“Caro amigo Décio,

Sou presidente da Colônia de Pescadores de São Luís – Z10.

Existem dois processos abertos pelos pescadores da Praia do Boqueirão contra a Vale, na 3ª Vara Cível desde dezembro de 2009 e até agora não obtiveram nenhum resultado.

Essa empresa está dando o calote nas terceirizadas assim como fez com esses pescadores, quando começou a construção do Pier IV e afastou toda a possibilidade dos mesmos sobreviverem da pesca naquela praia.

Será que ninguém vai fazer nada contra essa empresa?

Sem falar nos danos ambientais que ela tá causando naquela região. Se você quiser tenho todos os detalhes dessa situação e da injustiça cometida por essa empresa (Vale).

Estou à sua disposição.

Jonas Albuquerque
Presidente da Colônica de Pescadores Z-10.”

Quebradeira gerada pela Vale é notícia no Pará

Por Carlos Refribom
Presidente do “Carajás, o Jornal”

“Caro colega Décio,

Somos do ‘Carajas, o Jornal’ e estamos denunciando aqui também a quebradeira de empresas. Semana passada mesmo denunciamos a vontade deles de quebrar mais uma das tantas que já quebraram. Falo da Maquipesa, uma empresa genuinamente parauapebense que está à beira da falência.

Quando a WO faliu denunciamos tudo isso que acontece aqui em Parauapebas onde está a Vale e o minério. Vamos republicar todo esse material aqui no nosso jornal. Essas matérias podem ser vistas no http://www.carajasojornal.com.br/

Estamos com um jornal escrito que é bi-semanal também nascido aqui em Parauapebas, chegando semana que vem na edição 400. Não poderia ser melhor um presente desse.”

Por Marcel Nogueira:

“Décio, sou jornalista, moro e trabalho em Parauapebas (PA) há muitos anos. Gostaria apenas de citar o fato de que em Parauapebas empreiteiras da Vale muitas vezes são obrigadas a aceitar contratos leoninos, na base do “manda quem pode e obedece quem tem juízo”.

O resultado é que ao longo dos anos muitas empresas fecharam as portas, encerraram as atividades e deixaram rombos no comércio local. Todas reclamavam dos contratos da Vale e à boca pequena se falava nessas propinas.

Em tempo: a última a encerrar suas atividades foi a Maquipesa, obrigada a demitir 350 funcionários, divulgando que deixara o canteiro de Carajás porque não suportava os constantes atrasos das medições, além de multas sem justificativas.

Com isso, os salários dos funcionários estavam atrasados. No dia 15, a Justiça do Trabalho reconheceu que a Vale devia R$ 1,75 milhão e determinou que ela pagasse dentro de 48 horas. O dinheiro está sendo utilizado para pagar salários e rescisões contratuais.

A propósito, reproduzi a postagem no meu blog, se puder dá uma passadinha lá. O endereço é marcelnogueira.blogspot.com.