Gil Cutrim dispara em Ribamar

O Estado do Maranhão

O prefeito Gil Cutrim (PMDB), que disputa a reeleição em São José de Ribamar, tem larga vantagem sobre os demais adversários do pleito, com 59,8% de intenções de voto, segundo pesquisa Escutec/O Estado divulgada ontem. O levantamento, feito entre os dias 22 a 24 deste mês, entrevistou 400 eleitores e tem margem de erro de 4% para mais ou para menos. Gil Cutrim tem a sua candidatura alicerçada pela coligação “Força Popular Ribamarense”, formada por uma aliança entre 20 partidos políticos.

Segundo colocado na pesquisa, Júlio Filho (PCdoB) tem 11,5% de preferência do eleitorado. Ele concorre pela coligação “São José de Ribamar Livre e Independente”. Júlio Filho está à frente de Arnaldo Colaço (PSB), da coligação “Agora é a Vez do Povo”, que tem apenas 3,5% de intenções de votos.

Não souberam ou não responderam ao questionamento 25,3% dos entrevistados. Na pergunta “Independentemente de seu voto, quem você acha que será o novo prefeito de São José de Ribamar?”, de resposta espontânea, 62,3% declararam acreditar em vitória de Gil Cutrim; 3,8% em Júlio Filho e 0,8% em Colaço. Não souberam ou não responderam ao quesito 33,3% dos entrevistados.

Rejeição – No que diz respeito ao índice de rejeição, os candidatos Arnaldo Colaço e Júlio Filho aparecem empatados tecnicamente. O primeiro tem 25,5% de eleitores que declararam não votar, em hipótese alguma, em sua candidatura. O segundo aparece com 25% de indicações contrárias ao seu nome.

O prefeito Gil Cutrim é o menos rejeitado do pleito, com 13% dos entrevistados declarados contra uma possível reeleição. Não souberam ou não responderam ao quesito 36,5% dos eleitores entrevistados.

A pesquisa também quis saber qual a avaliação dos entrevistados a respeito das atuais administrações dos governos federal, estadual e municipal.

O levantamento mostrou que a presidente Dilma Rousseff (PT) tem 84,5% de aprovação na cidade balneária. Já a governadora Roseana Sarney (PMDB) foi aprovada por 57,5% dos eleitores entrevistados, e o prefeito Gil Cutrim teve sua atual administração aprovada por 65,8% da população de São José de Ribamar, de acordo com a pesquisa.

Jhonatan de Sousa é transferido para Presídio Federal de Campo Grande

 

Blog do Gilberto Léda

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) e o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), órgão do Ministério da Justiça (MJ) transferiram, na manhã deste sábado (25), Jhonatan de Sousa Silva, de 24 anos, executor confesso do jornalista e blogueiro Décio Sá, para a Penitenciária Federal de Segurança Máxima de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Ele embarcou em um voo comercial da Gol, por volta das 7h30, no Aeroporto Internacional Marechal Cunha Machado, no Tirirical.

A Operação Gladiador foi coordenada pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen), que enviou ao Maranhão três agentes penitenciários federais para acompanhar o traslado e escoltar o pistoleiro Jonathan Sousa até a capital sul-mato-grossense. Os trabalhos tiveram o apoio de três equipes do Grupo Tático Aéreo (GTA) do Maranhão, uma da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic) e uma da Polícia Federal (PF).

A transferência de Jonathan foi solicitada pelo secretário de Segurança Pública, Aluisio Mendes, ao Depen, por questões de segurança. O pistoleiro estava detido em uma carceragem da PF, no Bairro da Cohama. “Fizemos o pedido ao Depen para garantir a segurança e preservar a vida do executor, e fomos prontamente atendidos. A transferência é válida durante dois anos, podendo ser prorrogada de acordo com a necessidade”, destacou Aluisio Mendes.

Pesquisa Escutec/O Estado revela cenário inalterado a dois dias do horário eleitoral

O Estado do Maranhão

Encerrada a primeira fase da campanha eleitoral, a terceira pesquisa Escutec/O Estado de intenções de votos para prefeito de São Luís – última antes do horário eleitoral gratuito no rádio e na TV, que começará terça-feira, dia 21 – revela cenário praticamente inalterado em relação ao levantamento do fim do mês de julho.

Todos os candidatos, exceto o ex-prefeito Tadeu Palácio (PP), candidato da coligação “Construindo uma Nova História”, que caiu, oscilaram dentro da margem de erro, de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Segundo o Escutec, se as eleições fossem hoje na capital maranhense, o prefeito João Castelo (PSDB), candidato na reeleição pela coligação “Pra Fazer Muito Mais”, estaria em primeiro lugar, com 32,6% – ele tinha 33,5% em julho.

O deputado federal Edivaldo Holanda Júnior (PTC), da coligação “Muda São Luís”, trocou recentemente algumas peças do comando da campanha e já está na segunda colocação. Ele oscilou positivamente dentro da margem de erro e agora aparece com 21,6% das intenções de voto. Na pesquisa anterior, ele tinha 19,8%.

Queda – O ex-prefeito Tadeu Palácio perdeu 3,5 pontos percentuais em relação à última consulta e agora tem 16,6%. O candidato pepista é quem registra a maior queda desde que as pesquisas Escutec/O Estado começaram a ser divulgadas. No primeiro levantamento, ele aparecia com 25,3%, tecnicamente empatado com Castelo. Depois, caiu para 20,1%, mantendo a segunda colocação, então tecnicamente empatado com Holanda Júnior. Agora, já foi ultrapassado por ele.

O processo que enfrenta na Justiça Eleitoral desde que registrou a candidatura pode ser o fator preponderante para essa queda de rendimento. Palácio teve a candidatura impugnada pelo candidato a vereador Genival Alves (PRTB). Ela foi deferida pelo juiz José Américo Abreu Costa, da 1ª Zona Eleitoral, mas Alves recorreu ao TRE, que também confirmou a candidatura.

Semana passada, o candidato a vereador garantiu que recorrerá novamente, desta vez ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). À reportagem de O Estado, Tadeu Palácio disse que, apesar de ter confiança da vitória na Justiça, sabe que esse tipo de ação acaba por causar dúvida no eleitor.

Crescimento – O candidato da coligação “Juntos Por São Luís”, o vice-governador Washington Luiz (PT), mantém a tendência de crescimento. Na consulta do início de julho ele tinha 3,4%, depois, no fim do mês, aparecia com 5,4% e, na terceira pesquisa, já é citado por 6,1% dos entrevistados.

O petista é seguido de perto pela deputada estadual Eliziane Gama (PPS), com 5,3%. A popular socialista mostrou novo fôlego após grande queda entre a primeira e a segunda pesquisa. Ela tinha 8,8%, caiu para 3,9% e, agora, cresceu 1,4 ponto percentual.

Em sexto lugar vem Haroldo Saboia (PSOL), da coligação “São Luís: o Caminho é pela Esquerda”, com 1,9%; tecnicamente empatado com Marcos Silva (PSTU), que tem 1,4%. O candidato Ednaldo Neves (PRTB) não foi citado por nenhum dos entrevistados pelo instituto Escutec.

A terceira pesquisa Escutec/O Estado foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) dia 13 de agosto, sob o protocolo MA-087/2012. O levantamento foi realizado entre os dias 15 e 17 de agosto, com 800 entrevistados. A margem de erro da consulta é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e o intervalo de confiança é de 95%.

Caso Décio: inquérito é encaminhado à Justiça

Treze foram indiciados; nomes de quatro são mantidos em sigilo; polícia também pediu autorização para ouvir Raimundo Cutrim 

Cristina Meneses e delegados da SEIC chegam ao fórum para entregar inquérito (Foto: Biné Morais/O Estado)

Blog do Gilberto Léda

A delegada-geral da Polícia Civil do Estado do Maranhão, Cristina Meneses (foto), entregou, nesta sexta-feira (17), à juíza titular da 1ª Vara do Tribunal de Júri, Ariane Mendes Castro Pinheiro, a conclusão do inquérito que apurou o assassinato do jornalista e blogueiro Décio Sá, dia 23 de abril deste ano.

Após três meses e meio de trabalho, a comissão de delegados que comandou as investigações denunciou todos os presos na Operação Detonando à Justiça. No total, são 13 os indiciados. Quatro deles tiveram seus nomes mantidos em sigilo e dois ainda estão foragidos. O inquérito tem 31 volumes.

Os indiciados que tiveram seus nomes revelados são: o pistoleiro Jhonatan de Sousa Silva; os agiotas José de Alencar Miranda e Gláucio Alencar Pontes; José Raimundo Sales Chaves Júnior, o Júnior Bolinha; o “faz-tudo” Fábio Aurélio do Lado e Silva, “Buchecha”; Fábio Aurélio Saraiva Silva, o Fábio Capita; e Airton Martins Monroe.

O caso foi dado por encerrado pela SSP mesmo sem a oitiva do deputado estadual Raimundo Cutrim (PSD), que ficou de marcar data e horário para depor, mas nunca foi interrogado de fato. O depoimento, agora, dependerá de autorização e agendamento da Justiça – como pedido no relatório final do inquérito.

Hospital Carlos Macieira retoma atividades

 

Foto: Nestor Bezerra

Imirante

O Hospital de Alta Complexidade Dr. Carlos Macieira reiniciou seu atendimento, nesta sexta-feira (17), com a reativação de leitos de clínica médica, de UTI e de UCI, além do setor de hemodiálise e dos serviços de exames de imagem e laboratoriais. Na reabertura da unidade, cadetes da Polícia Militar (PMMA), homens do Corpo de Bombeiros e funcionários dos Correios foram homenageados pela governadora Roseana Sarney e pelo secretário de Estado de Saúde (SES), Ricardo Murad, em agradecimento pelos trabalhos voluntários prestados na remoção dos pacientes internados no HCM – que teve uma ala do primeiro andar do prédio atingido por um incêndio na segunda-feira passada.

Durante a entrega de placas de agradecimento a representantes das três instituições, a governadora disse que a homenagem era estendida aos funcionários do hospital e todas as pessoas que demonstraram solidariedade e ajudaram a salvar vidas. “Queremos agradecer a todos que deixaram seus serviços para ajudar na retirada dos pacientes com total maturidade e organização. Vocês são heróis porque participaram de uma ação vitoriosa, evitando o desastre maior que é a perda da vida. Todos deram uma demonstração de união entre todos os maranhenses”, declarou ela.

Foram ativados 13 leitos de UTI adulto, cinco de UTI pediátrica, 12 de UCI, 36 de internação clínica, seis de hemodiálise e todo o serviço de apoio diagnóstico, com exames de imagem e laboratoriais.

Ricardo Murad garantiu que a parte atingida pelo incêndio está completamente isolada e todo o restante do hospital está completamente reestruturado e adequado para voltar a funcionar. “Temos absoluta segurança na reabertura dos serviços porque todo o sistema estratégico foi montado e testado pelos profissionais. Graças a Deus o susto passou, não tivemos vítimas e hoje podemos reabrir o atendimento à população no maior e melhor hospital de alta complexidade do Maranhão”, declarou.

Na próxima semana deverão entrar em atividade mais 13 leitos de UTI, 12 de UCI e 50 leitos de clínica médica. Após essa ativação, a única ala que permanecerá interditada será a do segundo andar onde estão instalados os outros 25 leitos de clínica médica, no bloco esquerdo do hospital.

Autoridades

Estavam presente ao evento também o ministro do Turismo, Gastão Vieira; os secretários de Estado de Segurança, Aluisio Mendes; Casa Civil, coronel José Ribamar Vieira; de Comunicação, Sérgio Macêdo; o comandante geral da PMMA, Franklin Pachêdo Silva; o comandante do Corpo de Bombeiros Marcos Souza Paiva, e o da Academia de Polícia Militar, Raimundo de Jesus Silva, e a representante dos Correios, Maristela Corrêa Lobato.

“Este sentimento humanitário é que nos motiva a fazer sempre o possível para ajudar o próximo”, disse o coronel Raimundo Paiva, agradecendo a homenagem em nome dos cadetes.

À tarde, os pacientes que haviam sido transferidos para o Hospital Tarquínio Lopes Filho, para o Hospital da Criança e Hospital Presidente Dutra começaram a retornar para o Hospital Carlos Macieira.

“Queria voltar logo para este hospital porque considero o atendimento aqui muito bom”, disse Fabiana Matos, mãe de um dos bebês internados na UTI pediátrica do HCM.

Andréia Barros, que também acompanha um bebê na UTI pediátrica, disse que seu filho foi levado para o Hospital da Criança, mas o transporte tanto de ida quanto de volta para o Carlos Macieira foi muito cuidadoso. “Agradeço aos profissionais por isto”, disse ela.

As informações são da Secom do governo do Estado.

HCM voltará a funcionar o mais rápido possível, afirma secretário

O Estado do Maranhão

O secretário de Estado de Saúde, Ricardo Murad, disse ontem que todas as providências estão sendo tomadas para que as atividades do Hospital Dr. Carlos Macieira (HCM), que teve o setor de farmácia incendiado segunda-feira (13), sejam reiniciadas rapidamente. Ontem, Murad acompanhou o trabalho de vistoria, em diversas áreas do HCM, realizado por técnicos, peritos, engenheiros e o Corpo de Bombeiros.

A ala da UTI Pediátrica, no térreo do complexo hospitalar, deverá ser a primeira liberada por não ter sido atingida pelo incêndio. O retorno das atividades está previsto para a manhã de hoje. No local, estavam internadas cinco crianças, que foram transferidas para o Hospital Tarquínio Lopes Filho (Hospital Geral) e Hospital Universitário Presidente Dutra.

“Nós já detectamos que todo o bloco do lado direito não sofreu nenhum tipo de problema e já estamos ativando o setor. Já foi reiniciado o fornecimento de água, energia e gás dos setores de tomografia, de hemodiálise e a UTI Pediátrica”, informou. Na parte a ser liberada brevemente, ficam localizados todos os 42 leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Estavam acolhidos no momento do incêndio 32 pacientes com quadro de saúde grave.

O terceiro, quarto e quinto andares do bloco direito foram higienizados na manhã de ontem para o retorno dos pacientes. Apesar de o trabalho estar sendo realizado intensamente pela equipe da unidade de saúde, ontem ainda era visível os estragos causados pela evacuação de emergência de equipamentos e móveis. Macas, cadeiras, mesas e material de limpeza estavam sendo organizados e limpos por serventes. Colchões estavam empilhados no hall de entrada do prédio.

Investigação – A liberação do segundo e do primeiro andar somente se dará após ser finalizado o levantamento. A perícia, que investigará quais foram as circunstâncias do incêndio, será feita pela Secretaria de Estado de Segurança, sob comando do titular do órgão, Aluísio Mendes

A direção do HCM já disponibilizou todo o material de vídeo registrado pelas câmeras de segurança durante o incêndio, que será uma das peças de análise. “O Corpo de Bombeiros e a Secretaria de Segurança ainda farão o levantamento do que será preciso fazer para evitar novos incêndios no hospital. A polícia técnica terá ampla liberdade para descobrir qual foi a causa desse acidente”, disse o secretário Ricardo Murad.

Depois da limpeza no bloco direito, o trabalho de higienização será realizado no bloco central, no qual, segundo os técnicos, não deve ter ocorrido avarias, mas sendo necessária uma supervisão mais detalhada pela equipe técnica. “Haverá limpeza, desinfecção e teste de aparelhos. Vamos retomar as atividades com muita calma e muita prudência e trazer de volta os funcionários para o hospital”, declarou Ricardo Murad.

Pacientes – O secretário de Comunicação do Governo do Estado, Sérgio Macedo, confirmou, no fim da tarde de ontem, que o retorno dos 110 pacientes ao Hospital Dr. Carlos Macieira será feito com a maior brevidade. Os doentes que foram encaminhados às Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), ao Hospital Tarquínio Lopes Filho (Hospital Geral) e ao Hospital Universitário Presidente Dutra (HU) retornarão ao HCM quando todos os setores atingidos pelo incêndio forem liberados pelo Corpo de Bombeiros e pelo Instituto de Criminalística.

Ainda segundo ele, a governadora Roseana Sarney determinou que os setores onde funcionam as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) do HCM para adultos e crianças recebam a máxima atenção para que sejam liberados o mais rápido possível.

De acordo com Sérgio Macedo, a precaução quanto à transferência dos pacientes é uma medida de segurança, já que está sendo checada toda a parte elétrica do HCM para verificar os danos causados pelo incêndio.

Icrim faz a elaboração do laudo

O laudo pericial que vai apontar as causas do incêndio ocorrido na manhã de segunda-feira (13), no Hospital Dr. Carlos Macieira (HCM), deve ser divulgado nos próximos dias. Foi o que afirmou ontem o secretario estadual de Segurança Pública (SSP), Aluísio Mendes. Uma equipe de peritos do Instituto de Criminalística do Maranhão (Icrim) está trabalhando desde o dia do incidente para elaborar o laudo o mais breve possível.

De acordo com Cássio Freitas, superintendente de Polícia Técnico-Científica da SSP, uma equipe de peritos, especializada em esclarecer causas de incêndios, está responsável pela elaboração do laudo pericial.

“Nós temos três peritos trabalhando no caso, todos eles com especialidade em incêndios. São engenheiros elétricos e civis que têm experiências em casos nessa área e, com certeza, vamos ter um resultado”, disse Cássio Freitas.

Deputado Raimundo Cutrim vai depor formalmente à Polícia Civil

O Estado do Maranhão

O chefe da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic), Augusto Barros Neto, garantiu, ontem, que o inquérito sobre o assassinato do jornalista Décio Sá não será encaminhado à Justiça sem que o deputado estadual Raimundo Cutrim (PSD) preste depoimento formal à Polícia Civil do Maranhão.

O caso, segundo já sinalizou a comissão investigadora, deve ser concluído até sexta-feira (10), e o depoimento do parlamentar se faz necessário por causa de seu nome ter sido citado diversas vezes pelo executor do crime como suposto principal mandante da morte de Décio Sá, executado por denunciar esquemas de agiotagem no estado.

“Não vamos encerrar o inquérito sem ouvir o deputado estadual Raimundo Cutrim. Não há essa possibilidade. Já fizemos contato com o Poder Judiciário, por meio da juíza Ariane Castro Pinheiro, que acompanha o caso, e é titular da 1ª Vara do Tribunal do Júri, pelo fato de o parlamentar dispor de foro privilegiado. Estamos verificando a melhor maneira de tomarmos o seu depoimento de maneira formal, e dentro da legalidade. O objetivo é saber qual colaboração o deputado vai dar aos trabalhos de investigação, já que ele é citado por diversas vezes no bojo do inquérito, e fora dele”, afirmou o superintendente da Seic.

Raimundo Cutrim passou a figurar nas investigações sobre o assassinato do repórter da Editoria de Política de O Estado depois que seu nome foi citado pelo pistoleiro paraense Jhonatan de Sousa Silva, de 24 anos – assassino confesso do jornalista.

Em seu depoimento, tomado no dia 9 de junho, o executor de Décio Sá, por três vezes, denuncia o parlamentar de ter mandado matar o jornalista, com base em diálogo com um dos intermediadores do crime, o empresário José Raimundo Sales Chaves Júnior, o Júnior Bolinha, preso pela polícia. “Ele alegou que o jornalista tinha de morrer por conta da língua dele, pois falava muito, e prejudicava muita gente”, disse.

Empresário – A segunda citação do nome do deputado estadual, durante as investigações, veio à tona no dia 29 de junho, quando parte do depoimento do empresário Gláucio Alencar Pontes Carvalho, apontado como líder da rede de agiotagem que ofereceu R$ 100 mil pela morte de Décio Sá, “vazou” na internet.

Em um dos trechos de seu depoimento, o agiota revela aos delegados da comissão investigadora que, em uma das últimas reuniões que teve com o colega empresário, presenciou quando Júnior Bolinha disse que era amigo do deputado Raimundo Cutrim. Nesse ínterim, o parlamentar se defendeu, usando a tribuna da Assembleia Legislativa.

Sua defesa, porém, também ganhou repercussão no momento em que o deputado estadual resolveu lançar ofensas ao secretário de Segurança Pública, Aluísio Mendes, o chamando de moleque travestido de secretário, e o acusando de ter forjado o depoimento do assassino, ao classificar o executor de papagaio ensaiado.

Antes de seu discurso áspero, Cutrim – que ocupou o cargo de secretário de Segurança por duas vezes – concedeu entrevista à imprensa local, e se disse espantado com a notícia. “Quem conhece a minha vida e o meu trabalho, não só no Maranhão, mas em outros estados, sabe que eu sempre combati a criminalidade”, disse o deputado estadual.

Banga – A mais recente denúncia de suposta ligação de Raimundo Cutrim com a rede de agiotagem que financiou a morte de Décio Sá foi feita sexta-feira (3) pelo ex-prefeito do município de Serrano do Maranhão, Vagno Pereira, o Banga, preso pela Polícia Federal, em março de 2010, durante a Operação Rapina V, suspeito de sacar indevidamente recursos públicos federais e depositá-los em contas de terceiros.

Ao participar (por telefone) do Programa Ponto Final (Rádio Mirante AM), o ex-gestor municipal afirmou que sua prisão foi uma espécie de armação elaborada pela rede de agiotas, que cobrava uma dívida de R$ 200 mil à Prefeitura.

“Gláucio me convidou para almoçar, e nesse encontro disse que eu tinha que pagar a dívida, pois havia financiado a campanha eleitoral do ex-prefeito Leocádio Rodrigues. Eu disse a ele que não tinha como pagar um débito que não era meu. Ele disse que tinha 20 folhas de cheques no carro, e que era só eu assinar, mas eu não aceitei”, narrou o ex-gestor.

Banga disse, ainda, que, depois disso, foi preso pela Polícia Federal (PF), afastado do cargo, e quem assumiu foi o presidente da Câmara de Vereadores, Hermínio Pereira, filho do ex-prefeito Leocádio.

“Foi tudo uma armação para que Hermininho assumisse e pagasse a dívida do pai. O advogado de Hermininho é Ronaldo Ribeiro, o mesmo do delegado federal que comandou a operação; e o candidato aliado dele é o deputado Raimundo Cutrim”, ressaltou o ex-prefeito.

O chefe da Operação Rapina V, a quem se referiu Banga, foi o delegado Pedro Meireles, ouvido semana passada pela comissão de delegados, que agora intensifica as investigações secundárias à morte de Décio Sá, cujo foco são os crimes de agiotagem, envolvendo prefeitos maranhenses.

Sobre as denúncias do ex-prefeito do município de Serrano do Maranhão, o superintendente da Seic também foi categórico. “O ex-prefeito Banga também será chamado para prestar esclarecimentos sobre suas declarações na imprensa. Ele mesmo já se colocou à disposição, e nessa segunda fase das investigações [agiotagem] sua contribuição será fundamental”, concluiu Barros.

Ex-prefeito denuncia ligação de delegado e deputado com agiota

O Estado do Maranhão

O ex-prefeito do município de Serrano do Maranhão, Vagno Pereira, conhecido como Banga, fez, ontem, em entrevista à Rádio Mirante AM, novas denúncias que apontam o empresário Gláucio Alencar Pontes Carvalho como líder da rede de agiotagem que financiou a morte do jornalista Décio Sá. O ex-gestor municipal também mencionou o delegado de Polícia Federal Pedro Meireles, investigado por suposta ligação com a quadrilha, e o deputado estadual Raimundo Cutrim (PSD), citado no depoimento do assassino confesso do blogueiro como suposto “principal mandante” do crime.

Vagno Pereira concedeu entrevista (por telefone) ao radialista Roberto Fernandes, apresentador do Programa Ponto Final, e começou sua participação afirmando que a sua prisão feita pela Polícia Federal, em março de 2010, durante a Operação Rapina V, teria sido uma espécie de “armação” elaborada pela rede de agiotas, interessada em cobrar uma dívida de R$ 200 mil. O débito, ainda de acordo com o Banga, havia sido contraído pelo ex-prefeito daquela cidade, Leocádio Rodrigues, do qual era vice, antes de ser cassado em decorrência das investigações encabeçadas pela própria PF, que revelaram saques indevidos de R$ 3,1 milhões.

“Gláucio me convidou para vir a São Luís, almoçar com ele, em um restaurante. Atendi ao convite, e na oportunidade ele disse que a Prefeitura de Serrano devia a ele R$ 200 mil pelo financiamento da campanha eleitoral do então prefeito Leocádio. Eu disse que não tinha como pagar um débito que não era meu, pois não havia assumido nenhum compromisso financeiro com ele, apesar de ter sido o vice-prefeito eleito. Ele [Gláucio] me ameaçou, dizendo que eu tinha que pagar de qualquer maneira, e quando eu disse que a Prefeitura sequer tinha cheques, ele me garantiu que possuía em seu carro, mas eu me neguei a assinar”, denunciou Banga.

Após se negar a pagar a dívida, Banga foi preso no dia 19 de março de 2010 pela Polícia Federal, segundo ele, sem ordem de prisão, em uma estrada vicinal do município quando estava em companhia da filha de 5 anos. A operação, segundo o ex-prefeito, foi liderada pelo delegado Pedro Meireles, ouvido nesta semana pela Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic), no inquérito que investiga a morte de Décio Sá. Banga permaneceu preso por 45 dias e foi afastado do cargo, assumido pelo presidente da Câmara de Vereadores, Hermínio Pereira, conhecido como Hemininho, filho de Leocádio Rodrigues, cassado por improbidade.

De acordo com Banga, sua prisão foi uma forma de a quadrilha garantir o pagamento do débito deixado na Prefeitura. “Se eu não tivesse sido preso, com certeza estaria morto como o jornalista [Décio Sá], que denunciou o esquema e foi assassinado por eles. Foi tudo uma armação para que Hermininho assumisse, e passasse a ser a pessoa responsável por quitar todo esse débito”, explicou o ex-prefeito. “É muita coincidências o fato de o advogado de Hermininho, Ronaldo Ribeiro, ser o mesmo do delegado federal e que o deputado aliado dele é Raimundo Cutrim”, lembrou Banga.

O nome do deputado estadual surgiu no inquérito depois que o depoimento do pistoleiro paraense Jhonatan de Sousa Silva, de 24 anos – assassino confesso de Décio Sá – “vazou” e foi publicado nos principais blogs de notícias do estado. Na oitiva do executor, a denúncia de que o deputado teria mandado matar o jornalista é feita três vezes pelo pistoleiro, a partir de um diálogo com um dos intermediadores do crime, o empresário José Raimundo Sales Chaves Júnior, o Júnior Bolinha, de 38 anos, que afirmou que o jornalista “tinha que morrer por conta da língua dele, pois ele falava muito e prejudicava muita gente”.

Divulgação – Quase uma semana depois de o depoimento do assassino confesso ter vazado na internet, Raimundo Cutrim resolveu usar a tribuna da Assembleia Legislativa do Maranhão para lançar ofensas ao secretário de Segurança Pública, Aluísio Mendes. Na ocasião, o parlamentar chegou a chamar o titular da pasta de “moleque travestido de secretário” e “papagaio ensaiado”, ao insinuar que o secretário teria forjado a oitiva do criminoso; e se defendeu das acusações. “Quem conhece a minha vida e o meu trabalho, não só no Maranhão como nos estados onde trabalhei, sabe que eu sempre combati a criminalidade”, disse o deputado.

Vagno Pereira encerrou sua participação no Programa Ponto Final se colocando à disposição da comissão de delegados, responsável pelo inquérito secundário ao assassinato do jornalista Décio Sá, que investiga crimes de agiotagem, envolvendo prefeitos maranhenses. “Se a comissão me convocar, eu vou agora jogar na cara dele [Gláucio] tudo o que ele me disse naquele dia. Eu tenho até medo de ele mandar me matar, mas eu queria a acareação e vê ele mentir na minha frente. Acho que a partir de hoje vou levar uma vida melhor, porque desabafei, e sou uma pessoa de bem”, concluiu o ex-prefeito de Serrano.

Mais

A Operação Rapina V foi deflagrada pela Polícia Federal em parceria com a Controladoria Geral da União (CGU) com objetivo de monitorar saques de dinheiro de programas do Governo Federal, realizados na “boca do caixa” por agentes municipais. Em 2010, os agentes federais investigaram o destino de R$ 4 milhões, sacados irregularmente das contas da Prefeitura de Serrano do Maranhão. Na época, a Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado (DRCCO) da PF prendeu Vagno Pereira, após este ter sacado

R$ 10 mil na agência do Banco do Brasil em Cururupu, do programa Piso de Atenção Básica (PAB) do Fundo Nacional de Saúde (FNS); e divulgou também que o ex-prefeito do município havia sacado ainda R$ 22.600,00 do Fundo de Participação do Município (FPM) para as contas de 10 pessoas, entre elas parentes.

Policial Federal presta depoimento sobre morte de Décio Sá

                                                                                                  

Foto: Leandro Santos/O Estado

Imirante

O delegado da Polícia Federal (PF), Pedro Meireles (de camisa clara na foto), compareceu na Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic), na manhã desta quarta-feira (1º), para prestar depoimento sobre o possível envolvimento no homicídio do jornalista Décio Sá, assassinado no dia 23 abril, em um bar na Avenida Litorânea.

No dia 26 de julho, a PF divulgou uma nota sobre o possível envolvimento de um Policial Federal na morte do jornalista Décio Sá e agiotas. Na nota, a PF garantiu que foi instaurada sindicância para investigar os fatos e ressaltou que só se manifestará após a conclusão das apurações.

Leia a nota

“Considerando as matérias veiculadas na imprensa maranhense que noticiam possível envolvimento de policial federal com o homicídio do jornalista Décio Sá e com agiotas, a Polícia Federal vem tornarpúblico que foi instaurada, em 5 de julho de 2012, sindicância investigativa com a finalidade de apurar tais fatos. Como em qualquer outra investigação, a Polícia Federal apenas se manifestará sobre os fatos após a conclusão das apurações”.