Esquema Cachoeira atuou também no caso Lunus

Do Brasil 247:

No início de 2002, o antigo PFL havia encomendado ao publicitário Nizan Guanaes que produzisse diversos filmes sobre Roseana Sarney. O resultado parecia promissor: a filha de José Sarney começava aparecer como alternativa real à sucessão de Fernando Henrique Cardoso. Assim como decolou, o balão de Roseana despencou. O motivo foi uma denúncia estampada nas páginas da revista Época, com fotos de uma pilha de dinheiro que havia sido apreendida na empresa Lunus, em São Luís do Maranhão. Neste domingo, surgiram indícios consistentes de que o esquema do bicheiro Carlos Cachoeira também agiu para implodir a candidatura Roseana. Tucanos graúdos têm agido nos bastidores para impedir que Cachoeira revele, na CPI, que sua equipe de arapongas participou dos grampos e dos filmes realizados contra Roseana.

Serra pode ter utilizado serviço sujo de Cachoeira para detonar Roseana em 2002

Ao que tudo indica, o bicheiro Cachoeira foi o “agent provocateur” de vários escândalos recentes, como o caso Maurício Marinho, que deu origem ao mensalão, em 2005. O caso Lunus, três anos antes, até hoje é debitado na conta de José Serra, que foi candidato à presidência pelo PSDB e necessitava agir contra a candidatura própria do PFL – após o escândalo, o partido desistiu de lançar candidato e decidiu apoiar o tucano.

Lembrando: documentos apreendidos pela Polícia Federal na sexta feira 1º de março de 2002 em São Luís, no escritório da Lunus, reforçam as suspeitas de que ainda existe uma conexão entre a firma de Roseana Sarney, seu marido Jorge Murad e empresas campeãs de fraude da Sudam, como a Agrima – Agricultura e Pecuária Ltda e a Nova Holanda Agropecuária. Segundo a PF, “uma pasta traz farta documentação que pertence à Usimar Componentes Automotivos S/A, empresa criada em São Luís e financiada pela Sudam, mas que jamais saiu do papel. A Usimar (…) recebeu R$ 44 milhões e nunca comprovou a aplicação do financiamento para a montagem de uma fábrica de auto-peças”.

A PF apreendeu na sede da Lunus RS$ 1,34 milhão em nota de cinquenta reais, numa operação conjunta com a Abin.

Nos últimos cinco dias, gente graúda da tropa de elite de José Serra passou a telefonar, enlouquecidamente, para meia dúzia de policiais federais. A pergunta era uma só: a elite da “tchurma” ao entorno de Serra quer saber se Carlinhos Cachoeira vai de fato contar a verdade. Que é a seguinte, disseram esses policiais à reportagem do 247: Carlinhos Cachoeira teria trabalhado o vazamento do caso Lunus não só para o PSDB serrista, como também para ao PT. Ou seja: uma aliança kafkiana e de ocasião, entre inimigos os figadais do PT e PSDB, foi fundida para pulverizar Roseana Sarney.

O PSDB não tem medo que Cachoeira entregue os tucanos: mas torce para que o bicheiro entregue os petistas no caso Lunus. E quem teria passado os grampos da Abin , contra Roseana, para ambos os partidos? O mesmo sargento Dadá, que atuou na Satiagraha e agora está preso por ser o homem de confiança de Cachoeira no mundo da espionagem.

Só para lembrar: o repórter que deu o furo do caso Lunus nasceu em Goiás e tinha Carlos Cachoeira como fonte.

Publicamente, o caso Lunus faz parte do carma negativo da carreira política de José Serra. Mas a tese de que Cachoeira tenha produzido os filmes e tentado negociá-los para PT e PSDB não é improvável. Em agosto de 2010, em entrevista ao matutino O Estado de S. Paulo, o sindicalista Wagner Chinchetto revelou que o caso Lunus foi plantado na mídia pelo PT.

Confira a reportagem:

“Antigos companheiros do presidente Lula formaram um núcleo de arapongagem em 2002 para espionar e promover ataques a adversários do petista que, na ocasião, disputava pela quarta vez consecutiva o Palácio do Planalto. A denúncia é do sindicalista Wagner Cinchetto.

Ele afirma ter integrado o grupo que teria como principal estratégia atribuir à campanha de José Serra (PSDB) a autoria de ações clandestinas.

Uma dessas investidas, afirmou Cinchetto à revista Veja, foi a polêmica operação da Polícia Federal que, naquele ano, recolheu na sede da empresa Lunus R$ 1,34 milhão, dinheiro vivo e sem origem declarada que seria do caixa 2 da campanha de Roseana Sarney (PMDB), hoje governadora do Maranhão e então pré- candidata à sucessão de Fernando Henrique Cardoso.

“O Lula sabia do núcleo e deu autorização”, afirma Cinchetto. “Tinha um plano para detonar a campanha da Roseana”, disse ele ao Estado, ontem. “A gente tinha uma pessoa infiltrada na operação Lunus. Orientamos para ligar ao Palácio do Planalto para dizer que tinha dado tudo certo. Ficou a impressão digital do Serra. Quando a Roseana atacou o Serra o grupo festejou, teve comemoração. O PT estava nessa. Todo mundo acha que os tucanos planejaram.”

O sindicalista conta que “quem dava a palavra final às vezes eram o Berzoini (Ricardo Berzoini, ex-presidente do PT) e o Luiz Marinho (prefeito de São Bernardo do Campo)”. “Quando a gente precisava de dinheiro falava com o Carlos Alberto Grana, tesoureiro da CUT, ou com o Marinho e o Bargas (Oswaldo Bargas, ex-secretário do Ministério do Trabalho).”

Cinchetto relata que o grupo trabalhou para inviabilizar as candidaturas de Anthony Garotinho (PDT) e de Ciro Gomes. “O Ciro era um dos favoritos. Centramos em seu ponto mais fraco que era o vice da chapa, o Paulinho da Força. Eu trabalhava para a CUT e já tinha preparado dossiê sobre o Paulinho, trabalho de profissional. Fotografamos até uma fazenda do Paulinho. A candidatura do Ciro foi minando. O Ciro achava que era coisa dos tucanos, do pessoal do Serra.”

“Quero ver se eles têm coragem de desmentir, quero ver se o Lula desmente”, desafia Cinchetto. “Estou fazendo isso porque achava que o Lula ia fazer uma operação mãos limpas no sindicalismo, mandasse investigar corrupção nos sindicatos. Mas esse bando convenceu o Lula a não fazer nada. Eles dobraram o Lula. Estou só cobrando uma fatura, é a minha contraparte. Não trabalhei por dinheiro, o objetivo era limpar a bandidagem dos sindicatos.”

Ele disse que um ex-integrante do núcleo ligou depois para ameaçá-lo de processo. “Eles não vão por coleira em mim”, rechaça Cinchetto. “Podem vir para cima. O que falei é 10% do que tenho na mão.”

TSE proíbe propaganda antecipada no twitter

Brasília – Na falta do que fazer, por 4 votos a 3, o TSE decidiu na noite desta quinta-feira que o twitter não pode ser usado, antes do início oficial de campanha eleitoral, dia 6 de julho, por candidato ou partido com o intuito de pedir votos ou promover candidaturas. A maioria apertada dos ministros entendeu que a rede social é um local de propaganda eleitoral efetiva, onde prevalecem as regras válidas para outros meios de comunicação, como o rádio e a televisão.
 

Probição vai até dia 6 de julho. Multa para infratores pode chegar a R$ 25 mil

Foi a primeira vez que o plenário do tribunal analisou o tema. O debate aconteceu no julgamento de um caso específico, ocorrido na campanha presidencial de 2010, mas é uma importante sinalização do tribunal para as eleições municipais deste ano.
 
Os ministros julgaram uma representação do Ministério Público Eleitoral contra o então pré-candidato a vice do tucano José Serra, Indio da Costa (DEM-RJ), que, um dia antes do início da campanha de 2010, pediu votos a um de seus seguidores.
 
“A responsabilidade é enorme. Mas, conto com seu apoio e com o seu voto. Serra Presidente: o Brasil pode mais”, escreveu o político, no dia 5 de julho, em seu microblog, ao responder um seguidor que havia escrito: “Prepare-se. Ser vice não é fácil”.
 
Pela Lei Eleitoral, a propaganda de campanha só pode ser feita a partir do dia 6 de julho do ano do pleito. A realização da chamada propaganda eleitoral antecipada gera multas, que podem variar de R$ 5 mil a R$ 25 mil.
 
No caso de Indio da Costa, ele chegou a ser multado em R$ 5 mil pelo ministro substituto Henrique Neves. O caso, então, foi enviado ao gabinete do ex-ministro da Corte, Aldir Passarinho Júnior, responsável por relatar o processo no plenário, pois Neves não participaria do julgamento colegiado.
 
Passarinho também entendeu que a mensagem de Indio da Costa configurou propaganda eleitoral irregular, já que ao publicá-la no twitter, ele não tem o controle das vezes em que ela será replicada.
 
De forma diferente, entenderam os ministros José Antonio Dias Toffoli e Cármen Lúcia, para quem tratava-se apenas de uma discussão privada, na qual o então candidato teria livre possibilidade de se expressar. O colega Marcelo Ribeiro, por sua vez, votou pela proibição da propaganda antecipada e, quando o placar estava empatado em 2 a 2, o julgamento foi interrompido por um pedido de vista do ministro Gilson Dipp.
 
Nesta quinta-feira, Dipp trouxe um longo voto, no qual argumentou que a característica do twitter é diferente dos demais meios de comunicação. Para ele, enquanto as mensagens transmitidas por rádio e televisão têm alvos passivos, incertos e indeterminados, aquelas publicadas no twitter tem característica contrária.
 
“Não constituir ilegalidade à conversa ou informações trocadas deliberadamente entre pessoas determinadas. Não se submete ao regime geral das eleições. Quanto muito, constitui propaganda eleitoral lícita, doméstica, caseira, entre interessados. Livre em qualquer efeito”, argumentou. “A realidade caótica da internet talvez tenha contribuído para difusão livre e democrática de ideia entre pessoas certas e identificáveis do que as mídias regulares, tradicionalmente ligadas, algumas ou muitas vezes, a interesses econômicos ou partidários”.
 
Seu voto, no entanto, não convenceu Arnaldo Versiani e Ricardo Lewandowski. O primeiro argumentou que permitir a pré-campanha no twitter poderia beneficiar os candidatos que ocupam cargos públicos, com mais seguidores, em detrimento daqueles que se candidatam pela primeira vez.
 
Já Lewandowski argumentou que a decisão não representa limitação à liberdade de expressão. “O cidadão comum pode falar o que quiser, o que não pode é o candidato ou o partido”.

(Com informações da Folha.com).

Depois do PMDB, PCdoB já ‘namora’ PSDB

Do blog do Josias de Sousa:

Candidata do PCdoB à prefeitura de Porto Alegre, a deputada federal Manuela D’ávila ganhou um aliado inusitado. Homem-elástico da política nacional, o prefeito paulistano Gilberto Kassab (PSD) move-se para convencer o tucano José Serra a enfiar o PSDB gaúcho na coligação partidária de Manuela.

Manuela D'Ávila será beneficiado com articulação

A manobra visa potencializar o isolamento político do petista Fernando Haddad em São Paulo. Em troca da cessão do seu tempo de tevê a Manuela, o tucanato obteria do PCdoB, com a ajuda providencial de Kassab, o compromisso de não cair na tentação de aliar-se a Haddad, o novato que Lula tenta eleger na capital paulista.

Na cena paulistana, os comunistas já torcem o nariz para o PT. No oficial, o PCdoB tem candidato: o vereador-pagodeiro Netinho de Paula. No paralelo, a legenda analisa alternativas. Na escala de prioridades, o acerto com o PT é a última. A vitamina televisiva servida a Manuela excluiria Haddad definitivamente da lista de opções.

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Em tempo: o PCdoB passou a gravitar na órbita de influência de Kassab em abril do ano passado, quando o prefeito entregou ao partido a Secretaria Especial de Articulação para a Copa de 2014.

A julgar pela reação de Manuela D’Ávila, Kassab e seus interlocutores terão dificuldades para levar o plano adiante. “Não confere com a vida real”, anotou a candidata no twitter. Vivo, Garrincha aconselharia Kassab a fazer contato com os russos.

Livro revela face ‘terrorista’ de José Serra

O livro “A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., fartamente documentado, chegou às bancas nesta sexta-feira (9) em todo o país revelando fortunas tucanas em paraísos fiscais, após as privatizações do governo FHC, e a rede de espionagem montada pelo ex-governador de São Paulo José Serra contra seu adversário interno no PSDB, o também tucano Aécio Neves, que era governador de Minas Gerais.

O objetivo da espionagem, que não foi alcançado, seria o de flagrar em vídeo Aécio Neves consumindo bebidas alcoólicas ou até cocaína. Amaury acusa Verônica e Alexandre Bourgeois, filha e genro de Serra, de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e recebimento de propina.

Ricardo Sergio de Oliveira, ex-diretor do Banco do Brasil, e Gregório Marin Preciado, primo de Serra, também são denunciados no livro. Repórter investigativo muito talentoso, Amaury Ribeiro foi envolvido no suposto esquema de arapongagem a serviço da campanha de Dilma.

O editor Luiz Fernando Emediato, da Geração Editorial, sentiu-se intimidado ao ser chamado para “uma conversa” com o ex-governador José Serra, que tomou conhecimento do iminente lançamento do livro de Amaury Ribeiro. Emediato contou que ofereceu seu cartão de visitas ao emissário tucano, sugerindo que, se Serra quisesse falar com ele, que o procurasse na sede da editora.

Temendo ordem judicial de apreensão do livro, a Geração fez uma operação silenciosa para distribuir 15 mil exemplares em todo o país.

Ao receberem “A Privataria Tucana”, as livrarias assumiram o compromisso de que não seria exposto nas vitrines antes de sexta. O ex-governador José Serra informou que, por enquanto, sua decisão é não comentar as acusações contidas na obra.

Histórico

Em 2009, Aécio e Serra disputavam a indicação tucana para concorrer à presidência. O mineiro defendia prévias e o paulista se colocava como “o primeiro da fila”. Amaury, que vivia em Belo Horizonte, foi chamado por seus patrões e O Estado de Minas para a missão quando o Estado de S. Paulo publicou um texto intitulado “Pó pará, governador?”, um tanto estranho para os padrões austeros da família Mesquita, pois, já no título, insinuava que Aécio seria um cocainômano – e que, portanto, não poderia sonhar com a presidência. A partir daí, veio a resposta mineira. Segundo Álvaro Teixeira da Costa, dono do jornal mineiro, São Paulo não deveria mexer com Minas, pois os mineiros também saberiam lutar.

Amaury recebeu a encomenda e disse aos patrões que a fragilidade de Serra residia nas privatizações. E assim começou a investigá-lo, bem como a seus principais operadores: Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-diretor do Banco do Brasil, e Grégorio Marin Preciado, casado com sua prima. No meio do caminho, Amaury descobriu as contas usadas por Ricardo Sérgio, Gregório e até pela filha de Serra, Verônica, e por seu genro, Alexandre Bourgeois. Veja aqui os principais trechos do livro

Braço direito de Serra é denunciado por formação de quadrilha

Do Brasil 247:

Brasília – Reportagem deste sábado da Folha de S. Paulo noticia que João Faustino, ex-subchefe da Casa Civil do governo José Serra, foi indiciado por formação de quadrilha por participar das supostas fraudes da inspeção veicular no Rio Grande do Norte. O esquema teria sido montado pela empresa Controlar, criada pelo empreiteiro Carlos Suarez, ex-sócio da OAS. A Folha, no entanto, não menciona os laços de João Faustino com José Serra e com o senador Aloysio Nunes Ferreira. Leia, abaixo, a reportagem:
 
O Ministério Público do Rio Grande do Norte denunciou ontem 34 pessoas sob a acusação de participar de fraudes na implantação da inspeção veicular no Estado.
 
Entre os denunciados estão os ex-governadores do Estado Wilma de Faria e Iberê Ferreira, ambos do PSB, o suplente de senador João Faustino (PSDB) e o diretor-presidente da Controlar, consórcio responsável pela inspeção veicular em São Paulo, Harald Peter Zwetkoff.

Folha noticia indiciamento de João Faustino, mas "esquece" que ele foi subchefe da Casa Civil e coordenador da campanha de José Serra em 2010

 
Os ex-governadores e o suplente foram denunciados sob acusação de envolvimento em crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva, tráfico de influência e fraude em licitação.
 
Zwetkoff é acusado de formação de quadrilha, peculato e fraude em licitação. Troca de e-mails obtidas com autorização judicial revelam que ele repassou ao consórcio Inspar, do RN, as bases usadas em São Paulo para a implantação da inspeção.
 
Segundo a Promotoria, com as informações, o grupo fraudou a licitação, que renderia até R$ 1 bilhão em 20 anos. O consórcio pretendia implantar o esquema em outros dez Estados.
 
Além denunciar as 34 pessoas, os promotores apresentaram à Justiça mais dez pedidos de prisão preventiva. A suposta fraude já havia levado 13 pessoas à prisão. Ontem, cinco foram soltas. Entre eles, está João Faustino.
 
Os acusados também foram flagrados em escutas telefônicas, supostamente negociando acordos ilegais.
 
As informações foram posteriormente cruzadas com dados bancários, obtidos com ordem judicial. A promotoria apura ligações entre essas negociações e doações de campanha feitas em Estados de interesse do grupo.
 
Outro lado
 
Zwetkoff, não se manifestou ontem sobre a decisão da Promotoria do Rio Grande do Norte, de denunciá-lo à Justiça por envolvimento em fraudes no serviço de inspeção veicular no Estado.
 
A Folha ligou para seu celular às 19h (20h em Brasília) e uma pessoa que se identificou como sendo Roberto, amigo do presidente da Controlar, disse que Zwetkoff estava em reunião e não poderia atender o telefone.
 
Roberto quis saber os motivos da ligação e, em seguida afirmou que, se possível, Zwetkoff telefonaria mais tarde, o que não ocorreu até o fechamento desta edição.
 
A assessoria da ex-governadora Wilma de Faria (PSB) disse que ela estava em Brasília e não comentaria o caso.Dias atrás, Faria divulgou nota negando seu envolvimento em irregularidades.
 
Iberê Ferreira e João Faustino não foram encontrados.

Caso Lunus: José Serra contratou empresa de espionagem para o Governo de São Paulo

De O Estado de S. Paulo:

São Paulo – O governo paulista mantém há três anos contrato com uma empresa que, segundo seu proprietário, trabalha com “contrainformação” e faz “varreduras” em escutas telefônicas na Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp), empresa de economia mista – e sociedade anônima fechada – que gerencia toda a rede de dados do Executivo estadual.

A Fence Consultoria Empresarial Ltda. foi contratada em julho de 2008, durante a gestão do ex-governador José Serra (PSDB), e continua trabalhando para a administração do também tucano Geraldo Alckmin.

José Serra estava mesmo por trás do caso Lunus

A Prodesp diz que a Fence presta “serviços técnicos especializados em segurança de comunicações em sistemas de telefonia fixa” nos “ambientes internos e externos” da estatal. Ainda conforme a Prodesp, somente as suas linhas são monitoradas, pois ela não tem acesso a linhas ou troncos telefônicos de outros órgãos.

A contratação se deu sem licitação porque a Prodesp avaliou tratar-se da única empresa no mercado que atendia a todas as suas necessidades. No dia 19 de agosto, o Diário Oficial do Estado publicou a segunda prorrogação do contrato. O valor a ser pago nos próximos 12 meses, de acordo com o documento, é exatamente igual ao do primeiro contrato – que teve duração de dois anos – e da outra prorrogação: R$ 858,6 mil por ano. Significa que ele nunca foi corrigido, nem pela inflação. E que, com esse preço como referência, o governo já pagou um total de R$ 2,6 milhões à Fence.

Monitoramento restrito

A Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp) informou, em nota, que “somente monitora suas linhas telefônicas e não tem acesso a linhas ou centrais telefônicas de qualquer outro órgão da administração pública em geral, sejam seus clientes ou não”.

A empresa sustentou também que a contratação da Fence Consultoria Empresarial Ltda. foi totalmente regular: “Obedeceu rigorosamente aos preceitos legais e dispositivos previstos na Lei de Licitações e já foi analisada pelo Tribunal de Contas do Estado e julgada regular”.

O governador paulista, Geraldo Alckmin, afirmou que Prodesp rescindiu no dia 1.º de setembro o contrato que mantinha com a Fence Consultoria. O encerramento do contrato não foi publicado no Diário Oficial e se deu após a reportagem do jornal O Estado de S. Paulo ter procurado as assessorias de comunicação da Prodesp, da Secretária de Gestão Pública e do próprio governo em 22 de agosto em busca de informações sobre as ações da Fence no governo.

“Eu não tinha a informação. Quando tomei conhecimento, mandei rescindir, pela simples razão de que tem uma determinação do governo que é não contratar sem licitação. Não há hipótese”, disse Alckmin

Questionado se a falta de licitação era o único problema, o governador disse: “O trabalho era um trabalho interno da Prodesp. Ela poderá detalhar melhor”. A reportagem procurou a Secretaria de Gestão Pública para saber por que o contrato foi feito e renovado sem licitação, dada a determinação do governador. A secretaria se limitou a repetir que a contratação obedeceu aos dispositivos da Lei de Licitações e foi julgada regular pelo Tribunal de Contas do Estado.

Segundo os termos do acordo, a Fence foi contratada para “serviços técnicos especializados em segurança de comunicações em sistemas de telefonia fixa” em “ambientes internos e externos”. Segundo informou a Prodesp, a Fence somente monitorava suas linhas telefônicas, sem acesso a linhas ou a centrais de outros órgãos do governo.

O proprietário da Fence Consultoria, coronel reformado do Exército Ênio Gomes Fontenelle, explicou que sua empresa atua na área de consultoria em segurança de comunicações. “Faz contrainformação, varredura”, afirmou. De acordo com ele, a Fence trabalha na detecção de escutas clandestinas, tanto em telefones como ambientes, e não realiza nenhum tipo de proteção de dados.

Oposição

O deputado estadual Simão Pedro (PT) afirmou que o contrato do governo estadual com a Fence é um assunto “de extrema gravidade” e disse suspeitar de um esquema de escutas clandestinas em órgãos públicos. “Precisam ser investigados a fundo a sua legalidade e o tipo de serviço que foi feito”, ressaltou. “Contratar uma empresa dessas sem licitação para fazer varreduras é uma temeridade. Por trás disso pode estar escondido um esquema de escutas telefônicas em instituições públicas como a própria Assembleia”.

O deputado informou que fará uma representação pedindo ao Ministério Público que investigue o caso e cogita pedir a abertura de uma CPI. “A CPI teria condições de investigar com mais profundidade esse serviço sobre o qual a Prodesp não quis informar muita coisa. O MP também tem de investigar o caso.”

O proprietário da Fence é Ênio Gomes Fontenelle, coronel reformado do Exército que foi chefe da área de comunicações do extinto Serviço Nacional de Informações (SNI). A Fence foi contratada pelo Ministério da Saúde na gestão Serra.

Em 2002, integrantes do então Partido da Frente Liberal (PFL) – atual DEM – atribuíram a uma escuta clandestina feita pela empresa a origem da operação da Polícia Federal que descobriu R$ 1,4 milhão no cofre da empresa Lunus, de propriedade de Jorge Murad, marido da então governadora do Maranhão, Roseana Sarney, pré-candidata ao Planalto à época.

A quantia supostamente era destinada ao caixa da campanha presidencial de Roseana, que acabou não ocorrendo por conta do impacto da operação.

Patricinha que xingou nordestinos é processada

De O Globo:

São Paulo - A Justiça Federal de São Paulo abriu processo pelo crime de racismo contra a estudante de direito Mayara Penteado Petruso. Segundo a denúncia, oferecida pela Procuradoria da República em São Paulo, Mayara, por intermédio do Twitter, postou em seu perfil, no dia 31 de outubro de 2010, “mensagem de incitação à discriminação ou ao preconceito de procedência nacional”.

Mensagens racistas de eleitora de José Serra contra nordestinos

A mensagem foi postada depois de divulgado o resultado do segundo turno das eleições para Presidente da República. Mayara publicou a seguinte mensagem em sua página do Twitter: “Nordestisto (sic) não é gente. Faça um favor a Sp: mate um nordestino afogado!”.

O ato foi registrado por diversos usuários do Twitter, que denunciaram o fato. Ao prestar depoimento ao MPF, a denunciada assumiu que postou os comentários em sua página do twitter, confirmando ser de seu perfil uma cópia da tela (screenshot), preservada como prova. A denúncia foi oferecida no último 3 de maio e o processo aberto no último dia 4 de maio.

O crime de racismo, disposto no artigo 20 da lei 7716/89, prevê pena de 1 a 3 anos de prisão e multa. Entretanto, de acordo com o parágrafo 2º do mesmo artigo, se o crime é cometido mediante o uso de meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza, como ocorreu no caso de Mayara, a pena prevista é de 2 a 5 anos de prisão e multa. Leia mais aqui.

Derrotado, Serra ameaçou deixar PSDB

Do iG:

Brasília – O ex-governador de São Paulo José Serra ameaçou deixar o PSDB caso ficasse sem cargo na executiva tucana. O momento mais crítico ocorreu entre quarta e quinta-feira. Hoje, em convenção do partido, em Brasília, Serra foi contemplado com a presidência do conselho político que terá sete membros e atribuições que influenciarão nas decisões da sigla. A presidência da legenda ficou mantida com o deputado Sérgio Guerra (PE). “O conselho vai tomar decisões político-partidárias, discutir eventuais fusões (…) e formas de escolher candidatos”, disse Serra. Questionado se teria ameaçado deixar o partido, Serra respondeu que não comenta intrigas. Com a presidência do conselho, Serra fica sem cargo relevante na executiva.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (SP), o governador Geraldo Alckmin (SP), o senador Aécio Neves (MG), o deputado Sérgio Guerra (PE), e o governador Marconi Perillo (GO) também farão parte do conselho. O ex-governador Tasso Jereissati (CE) ficou com a presidência do Instituto Teotônio Vilela (ITV), órgão tucano com orçamento de R$ 11 milhões.


O presidente Sérgio Guerra, FHC, Aécio Neves e Serra durante a 10ª Convenção Nacional do PSDB. Foto: AE


Para aceitar a presidência do conselho político tucano, Serra exigiu que a instituição tivesse mais poder de decisão, ou seja, que fosse responsável por definir alianças políticas em nome do partido. O acordo final foi fechado entre ontem e hoje.

Ao longo da semana, um grupo de 35 deputados ligados a Aécio se reuniu em Brasília para deixar claro que não cederiam uma vírgula nos pedidos de Serra. O principal objetivo do ex-governador paulista era ficar com a presidência do ITV.

Para os mineiros, isso significaria criar um partido para Serra dentro do PSDB. Rodrigo de Castro (MG) se manteve na Secretaria Geral, o segundo cargo mais importante da estrutura partidária.

Meses atrás, em conversa com o governador Marconi Perillo (Goiás), Serra já havia ameaçado deixar o partido. Naquele momento, Sérgio Guerra havia conseguido o apoio de toda a bancada da Câmara para ser reconduzido ao comando do partido. A ação foi contestada pelos serristas como o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) e o deputado Jutahy Jr. (PSDB-BA).

Discurso de união

Em seu discurso, Aécio Neves afirmou que “o PSDB está mais unido do que nunca” e elogiou a “estatura moral” de José Serra. “O PSDB é uma obra coletiva, é um partido sem dono. O dono do PSDB é o povo brasileiro. Hoje, de longe é o fim. É apenas o início”, disse aos militantes.

Serra também ressaltou a união tucana. “Nossa desunião esteriliza as nossas ações”, afirmou. E aproveitou o palanque para criticar o governo de Dilma Rousseff. “A ocupante do cargo governa cada vez menos e aquele que deixou o cargo (Luiz Inácio Lula da Silva) governa cada vez mais”, afirmou. Serra voltou a acusar o governo de “navegar nas águas da corrupção”.

Sérgio Guerra pregou um “esforço de unidade” do partido. “Os 90% que nos dividem são muito menos importantes do que os 100% que nos unem”, disse. O presidente tucano defendeu a renovação do partido e a punição daqueles que “tomarem a agenda da divisão”.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que ganhou um “Parabéns a você” pelos 80 anos que completará em junho, pediu “cabeça erguida” e “confiança” aos militantes. Ao partido, pediu “coesão”, “unidade” e que todos “olhem para frente” a partir de agora.

César Bandeira prepara volta à vida pública

Conversei domingo passado, durante almoço em comemoração ao aniversário do jornalista Félix Alberto Lima, com o ex-deputado e diretor-geral da Facam (Faculdade do Maranhão, César Bandeira.

Ele não disse, mas deu a enteder que prepara sua volta à vida pública:

César Bandeira e a mulher Tatiana no aniversário de Félix Lima. Foto: PH Revista

- Estou me estruturando – declarou em tom enigmático ao ser questionado sobre o assunto;

- O senhor pretende volta à política – insisti;

- Quem viver, verá! – respondeu.

O ex-deputado, abatido em 2006 pela denúncia de envolvimento na “máfia dos sanguessugas” sendo que nada ficou comprovado contra ele, contou ao blog que a Facam já atua com cursos à distância em 38 municípios maranhenses.

Afirmou ainda estar inaugurando os novos transmissores da Rádio e TV Água Branca, em Vitorino Freire, ampliando o raio de ação da emissora para toda a região.

Se realmente resolver voltar à política, o DEM não será mais sua casa. Ele não confimrou nem negou uma filiação ao PSD, partido criado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassad, e no Maranhão sob o comando do ministro Edison Lobão (Minas e Energia), através da mulher Nice Lobão (DEM).

Bandeira contou ter sido convidado ano passado pelo ex-governador José Serra (PSDB) a ingressar no ninho tucano e ser um os candidatos a senador pelo Maranhão fazendo dobradinha com Roberto Rocha (PSDB).

- Se tivesse aceitado teria uns 600 mil votos, não me elegeria, mas tiraria a eleição de João Alberto (PMDB). Não aceitei porque não sou traidor – disse numa suposta referência ao ex-governador José Reinaldo Tavares (PSB).

Em 2002, Bandeira e o senador José Sarney foram os únicos a defender, dentro do grupo, a candidatura do então governador à reeleição. Como “prêmio”, o ex-deputado nunca sequer foi recebido por José Reinaldo no Palácio dos Leões.

Em 2005, um ano antes do escândalo dos sanguessugaas, ele surpreendeu o mundo político em Brasília ao disputar a primeira vice-presidência da Câmara com o então colega de PFL José Thomaz Nonô (AL). A eleição terminou empatada no primeiro turno – Bandeira acabou derrotado no segundo turno.

Naquele ano Severino Cavalcante foi eleito presidente da Casa. Acabou cassado alguns meses depois.

O imperador da Vale esperneia

Do blog Tijolaço, de Brizola Neto:

Sua majestade, D. Roger Agnelli I, o Eterno, perdeu a compostura. Ontem, além do DEM, também o PSDB foi a luta para manter o “menino de ouro” do minério de ferro.

Agnelli apelou até a Serra para se manter no cargo

Sua alteza, pessoalmente, disparou e-mails e mandou distrubuir entre os politicos material que tece loas à sua administração, cujo mandato já se encerrou e foi prorrogada, por acordo, no período eleitoral.

Mobilizou inclusive a alma penada de plantão, José “Bolinha” Serra, para dar declarações a seu favor e chamar de “aparelhamento” a ação do governo federal em tentar influir na escolha do novo presidente da empresa, da qual é acionista controlador, através do BNDES e dos fundos estatais de pensão.

Curiosa é a declaração de outro peso-pesado, o senador Francisco Dornelles dizendo que espera que o governo não vá “utilizar os mecanismos que tem para intervir no seu processo decisório e na formação de sua diretoria”.

Ora, o que deveria o Governo, se tem mecanismos (legais e legítimos, estabelecidos na Lei Complementar 109) para influir no processo decisório? Omitir-se? Deixar que D. Agnelli diga que “a Vale sou eu”?

O fato concreto, que já foi lido pelo mercado, é que D. Agnelli perdeu a cobertura do Bradesco, do qual era, como ex-funcionário, o homem de confiança na mineradora. Tornou-se um problema para o banco, que só não o defenestrou, ainda, porque quer negociar sua saída.

D. Agnelli, porém, está possuido pela soberba e não consegue ver que foi para este cargo como um empregado do Bradesco, onde fez sua carreira.

Sua Alteza esqueceu que foi ao trono por conveniência e por conveniência será destronado por quem o coroou.

Quem está aparelhando politicamente a Vale não é o Governo, mas ele. Para se manter no “sacrificante” cargo, não hesita em partidarizar explicitamente sua permanência.

Ou seja, se tinha alguma boa chance de ficar, neste momento só conta com a possibilidade de que a “cara feia” dos políticos de oposição – ou apenas aderidos ao Governo – e as matracas dos colunistas de economia da grande imprensa fazerem medo ao Governo e impedirem o inevitável.

Improvável, mesmo com o apoio da “Globby”.

Governadores anunciam corte de gastos

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin , auditará todos os contratos de terceirização de serviços herdados da gestão de José Serra (ambos do PSDB). Os alckmistas dizem que não é revanche, mas a determinação de Alckmin repete pacote anunciado por Serra em 2007 que abriu crise entre “serristas” e “alckmistas”.

Alckmin determinou corte de R$ 1,5 bilhão no Orçamento de São Paulo

O governador anunciou também o contingenciamento de cerca de R$ 1,5 bilhão no Orçamento. Desse total, cerca de R$ 350 milhões foram congelados na previsão de gastos com custeio -10% do total destinado para a rubrica. O restante – R$ 1,25 bilhão – foi bloqueado na verba de investimentos – cerca de 20% do total.

Assim como Alckmin, no primeiro dia útil no cargo governadores recém-empossados anunciaram ontem cortes no custeio da máquina administrativa e redução dos cargos comissionados.

No Paraná, Beto Richa (PSDB), que sucede o peemedebista Orlando Pessuti, anunciou um plano de ação de 180 dias para “reequilibrar” as contas, o que inclui o corte de 15% nos gastos de custeio da máquina.

Richa determinou também a suspensão por 90 dias das ordens de pagamento e serviço do Estado. O governo diz que economizará pelo menos R$ 480 milhões em 2011.

A governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini (DEM), anunciou redução de 30%, no mínimo, nos gastos do governo. A recomendação foi feita a todos os secretários. O detalhamento dos cortes será feito ao longo desta semana.

O ex-governador Iberê Ferreira de Souza (PSB) deixou o cargo com problemas financeiros. A Folha não conseguiu falar com ele ontem.

Na Paraíba, o governador Ricardo Coutinho (PSB) suspendeu o reajuste de 27,92% no próprio salário, do vice e de deputados estaduais.

O reajuste havia sido dado pelo ex-governador José Maranhão (PMDB), derrotado por Coutinho. Foram exonerados 4.500 comissionados, ou 40% dos cargos, que não serão mais preenchidos.

O governador reeleito do Piauí, Wilson Martins (PSB), anunciou a exoneração de 2.000 comissionados -só serão readmitidos até 30%.

No Amapá, Camilo Capiberibe (PSB) diz que as mudanças na estrutura devem gerar uma economia de R$ 8,5 milhões ao ano.

No Tocantins, Siqueira Campos (PSDB) disse que o Estado tem a necessidade de cortar 70% dos gastos com custeio e com servidores comissionados. Até ontem, ele não havia anunciado nenhum corte.

Na contramão

O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), deve enviar à Assembleia um projeto de lei para elevar o salário de cerca de 500 cargos comissionados que ganham hoje R$ 1.200. Em contrapartida, o governo propõe a extinção de outros 138 cargos.

Em Minas, Antonio Anastasia (PSDB) criou mais três secretarias e instituiu o cargo de secretário-extraordinário para a Copa de 2014. O governo diz que o impacto nas contas será “muito pequeno”.

(Com informações da Folha de S. Paulo).

Legendas que apoiaram Serra buscam novos rumos

Do Correio Braziliense:

Brasília – Os partidos que apoiaram a candidatura de José Serra (PSDB) iniciaram o debate interno para definir os rumos políticos e o discurso que adotarão no governo Dilma Rousseff (PT). Apesar de contribuírem para levar a disputa presidencial para o segundo turno, o DEM e o PPS saíram menores das eleições de 2010. Na avaliação do custo Serra, o DEM já admite a hipótese de fusão com outra legenda, e líderes do PPS demonstram certo arrependimento de encampar o projeto tucano, principalmente quando a disputa entre Serra e Dilma foi desviada para o âmbito da discussão da vida privada e religiosa dos eleitores.

José Serra levou oposição para voo cego

O presidente do PPS, deputado eleito por São Paulo Roberto Freire, afirma que ficou incomodado com a condução da campanha e aponta que o partido segue sozinho daqui para frente. “Não tem aproximação (com o DEM e o PSDB), o PPS vai cuidar da sua vida. O partido foi um aliado no processo eleitoral. Incomodou (o debate religioso). Incomodou o país. Discordei dos rumos da campanha, do discurso oportunista religioso. Mas a candidata colocou isso no centro do debate, não havia como fugir.” A necessidade de unir partidos da oposição, reflete o deputado eleito, levou as legendas a deixarem de lado os ideais fundadores das siglas em prol da disputa presidencial.

Sobre a possibilidade de guiar a legenda na oposição ao governo Dilma, Freire diz que ainda é cedo e que o partido precisa avaliar a gestão da petista antes de se posicionar. “Prefiro aguardar para ver a cara que esse governo vai ter”, pondera Freire. Depois da aliança com o PSDB, o PPS perdeu 10 deputados. A bancada na Câmara caiu de 22 para 12 parlamentares.

O presidente do PPS critica, no entanto, o comportamento dos governadores eleitos e reeleitos que se calaram, segundo ele, durante a eleição sobre a volta da Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira (CPMF). “Veja o estelionato eleitoral dos governadores. Deveriam ser todos cassados. É de uma desonestidade que não tem tamanho”, censura Freire.

Democratas

No DEM, a desidratação eleitoral do partido levantou dois debates imediatos. Os mais otimistas defendem antecipação das eleições dos diretórios municipais e estaduais, e da executiva nacional, para mudarem o eixo direcional do partido levando em conta os estados e os grupos políticos com melhor desempenho nas urnas. Os pessimistas admitem a fusão. No centro da discussão sobre a renovação está a perda do poder político da família Maia no Rio de Janeiro. A derrota do ex-prefeito Cesar Maia (DEM-RJ) na disputa para o Senado indicou que o presidente da sigla, deputado Rodrigo Maia (RJ), não tem ascendência em sua base eleitoral.

De olho na presidência do DEM, caciques do partido no Nordeste já se movimentam para convocar convenção em janeiro. O nome de Marco Maciel (DEM-PE) é o mais cotado para assumir o comando. De acordo com o secretário de Assuntos Institucionais do DEM, deputado André de Paula (PE), o partido se reunirá, no fim deste mês, para avaliar o resultado das eleições. “O partido deve promover uma reunião de parlamentares para avaliação das eleições e construção da estratégia congressual. Os diretórios teriam encerrado os mandatos em outubro, mas pediram prorrogação para não renovar no meio do processo eleitoral. Mas é preciso avaliar o quadro de cada lugar e a nova correlação de forças.”

O dirigente não aposta na possibilidade de o DEM se fundir com o PMDB, apesar de o cenário eleitoral ter suscitado conversas entre as duas siglas. Mas André de Paula não descarta a união com o PSDB. “Fusão é só especulação, mas não estou descartando. Acho uma equação difícil de operar com o PMDB. Existem diferenças e, na hora em que há fusão, anula a identidade. Significaria a absorção do Democratas pelo PMDB. No caso do PSDB, um pouco menos, porque os partidos têm perfis semelhantes. Com o PSDB, isso até poderia ocorrer”, afirma o vice de Relações Institucionais do DEM.

Mudança de data

O departamento jurídico do DEM informa que é praxe no partido realizar, em outubro, convenções para a eleição da executiva nacional e de presidente de diretórios. No ano passado, a legenda decidiu prorrogar o mandato do atual presidente nacional, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), e dos dirigentes regionais. Assim, pela regra em vigência, a nova eleição seria em outubro de 2011. Mas se a executiva decidir, a data pode ser alterada e a convenção antecipada.

PMN e PTdoB temem represálias

Considerados nanicos no plano nacional, o PMN e o PTdoB demonstraram coragem ao trocar as bênçãos governistas pela campanha de José Serra (PSDB). As legendas não sofreram o mesmo impacto que o DEM e o PPS e, ao contrário, elegeram mais parlamentares, em relação à disputa de 2006. Mas os pequenos preocupam-se com o reflexo político que o apoio ao presidenciável tucano pode ter em relação à destinação de recursos públicos em suas bases eleitorais.

Senador eleito pelo Acre, Sérgio Petecão (PMN) explica que apoiou Serra em seu estado porque é adversário político dos irmãos Jorge Viana (PT) e Tião Viana (PT). Apesar da indisposição com o PT do Acre, Petecão afirma que pertencerá à base de apoio de Dilma Rousseff no Congresso. “Entendo que o Acre precisa muito do governo federal. Hoje, nós vivemos naquela dinastia Viana e precisamos contrapor essa ditadura que tem lá. Lá (no Acre), não tem PT, lá tem os ‘Vianas’. Vivo em um estado que depende 100% de recursos federais, mas relação com os Vianas não tem jeito, mas quero ter uma boa relação com o governo federal”, prega.

Roda Viva: Zé Dirceu abre o jogo

O ex-ministro da Casa Civil do governo Lula, José Dirceu (PT), réu no processo do mensalão, afirmou na segunda-feira (1) no programa Roda Viva, da TV Cultura, que não pode aceitar o que o candidato derrotado à presidência da República, José Serra (PSDB) fez com ele durante a campanha. Dirceu diz que foi linchado publicamente antes do seu julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), mas acredita que o seu adversário não acabou politicamente e que tem valor porque lutou até o final. “Espero que ele tenha um papel na oposição. Não espero um País sem oposição. Não espero que o País viva assim”, disse. O programa vai ao ar às 22h desta segunda-feira (1º).

De acordo com Dirceu, a postura do PSDB na campanha, notadamente no horário eleitoral de rádio e TV, foi inaceitável. “Não posso aceitar o que o José Serra fez comigo. Ele me linchou. E se eu for absolvido no Supremo, como é que fica? Ele me colocou como chefe de quadrilha. Eu tenho biografia, não tenho folha corrida”, afirmou.

Veja abaixo a entrevista do ex-chefe da Casa Civil.

Bloco 1

Bloco 2

Bloco 3

Bloco 4

O dia em que Madeira teve de se ‘coçar’

Conhecido por atravessar o Tocantins a nado com um sonrisal na mão e chegar ao outro lado do rio com o antiácido intacto, o prefeito tucano Sebastião Madeira (Imperatriz) está com indigestão até hoje por conta do resultado da eleição.

Pinheiro Foto conseguiu um milagre: ver a cor do dinheiro de Madeira

Único amigo do tucano José Serra no Maranhão – se é que o ex-governador de São Paulo tem algum amigo na vida – Madeira chora a derrota tucana na cidade: 52% (59.841 votos) a 47% (54.665 votos) em favor da petista Dilma Roussef.

O prefeito até se empenhou em favor do aliado. Fez carreatas, caminhadas, usou a estrutura da prefeitura e chegou a proibir, através de fiscais municipais, partidários da presidente eleita fazer campanha no Calcadão da Avendida Getúlio Vargas (reveja).

No dia 5 de outubro, durante o aniversário de Sérgio Lousa, presidente do Diretório Municipal do PSDB, começou a provocar e tentar humilhar o fotógrafo Antonio Pinheiro, o Pinheiro Foto.

- Pinheiro, quer apostar R$ 50 mil comigo como Serra ganha em Imperatriz? – provocou Madeira

- Eu não tenho esse dinheiro todo – respondeu o fotógrafo;

- Então, vamos apostar R$ 10 mil;

- É muito dinheiro para mim – continuou o apoiador de Dilma;

- Quanto vale essa tua máquina? quis saber o prefeito apontando para a máquina fotográfica do profissional;

- Uns R$ 1,5 mil – respondeu Pinheiro;

- Então está apostado: R$ 1,5 mil meu contra tua máquina.

Os dois apostadores caíram em campo na defesa de seus candidatos. Pinheiro passou a ser alvo de gozação de assessores do prefeito e do próprio toda vez que os tucanos faziam algum movimento em favor de Serra no município.

- Tu vais ficar sem tua máquina – diziam.

O resultado todo mundo sabe: Dilma ganhou em todas as cidades do Maranhão. Teve 79% da votação no Maranhão, a segunda maior no Brasil.

- Eles quiseram me humilhar e acabaram se arrebentando – comemora Pinheiro, que recebeu os R$ 1,5 mil da aposta no dia seguinte ao segundo turno na Banca do Chico, espécie de “Senadinho” de Imperatriz.

- O prefeito mandou um segurança e o motorista dele me entregar o dinheiro, mas pediu o recibo – completou o fotográfo.

Pinheiro é um homem de sorte. Conseguiu ver a cor do dinheiro de Sebastião Madeira.

Esse Serra é mesmo um gênio!

Foguetão do Serra leva ‘balaios’ para o espaço