Em crise, PSB ataca PT e flerta com tucanos

Da Folha de S. Paulo:
 
Brasília – Em crise com o governo, o PSB traça planos para se descolar do PT e reforçar os laços com a oposição tucana nas eleições municipais. A relação entre socialistas e petistas se deteriora em meio ao tiroteio contra o ministro Fernando Bezerra Coelho (Integração Nacional), que depõe hoje no Congresso sobre as acusações de nepotismo e favorecimento a Pernambuco na liberação de recursos federais.

Eduardo Campos tenta viabilizar sua própria candidatura à Presidência em 2014

O governador Eduardo Campos, presidente do PSB, tem dito a aliados estar certo da participação do PT no bombardeio ao afilhado.
 
Cotado para disputar a Presidência em 2014, ele articula a montagem de chapas com o PSDB, principal partido de oposição a Dilma, em diversas capitais do país.
 
Os socialistas planejam ter candidato próprio a prefeito em 12 capitais e outros 1.537 municípios -mais que o dobro das eleições de 2008.
 
Em Belo Horizonte, por exemplo, o prefeito Márcio Lacerda (PSB) se afastou dos petistas e já garantiu apoio tucano para disputar a reeleição. O PT local, que indicou seu vice há quatro anos, agora resiste em repetir a chapa e o acusa de privilegiar o senador Aécio Neves (PSDB-MG), amigo de Campos.
 
Outro exemplo do distanciamento ocorre em Natal. Em 2008, os dois partidos se uniram para lançar a petista Fátima Bezerra a prefeita. Este ano, Vilma Faria (PSB) concorrerá sem apoio do PT.
 
“O PT é um aliado histórico, mas não precisamos da autorização de ninguém para fechar alianças com quem quer que seja”, afirma Carlos Siqueira, da executiva do PSB.
 
Petistas e socialistas devem se enfrentar em pelo menos outras sete capitais. Apenas em Salvador o apoio do PSB a Nelson Pellegrino (PT) é dado como certo.
 
Em Curitiba, Luciano Ducci (PSB) disputará a reeleição com apoio dos tucanos e em oposição ao PT. Em São Paulo, os socialistas integram o governo Geraldo Alckmin (PSDB) e planejam apoiar um aliado dele na capital.
 
Além da crise na Integração Nacional, dirigentes socialistas apontam mais dois motivos para o distanciamento: a suposta preferência de Dilma pelo PMDB e o ensaio de “voo solo” de Campos em 2014. “Nossa intenção sempre foi crescer, e o Eduardo é um nome que há muito tempo o partido trabalha”, afirma Carlos Siqueira.
 
Anteontem, em reunião com a cúpula de outra sigla governista, o governador disse estar certo da ação de petistas nos bastidores para desestabilizar Bezerra, seu principal aliado na Esplanada.
 
Ele ligou o “fogo amigo” à disputa pelo Ministério da Ciência e Tecnologia após a mudança de Aloizio Mercadante (PT) para a Educação.
 
O PSB tenta retomar a pasta, que comandava no governo Lula, mas os petistas querem indicar o novo ministro.

Lançada Barbie versão Dilma Roussef

De O Globo:

Rio - O artista plástico Marcus Baby, de 41 anos, encontrou uma maneira diferente de homenagear Dilma Rousseff: confeccionou uma boneca estilo barbie com as características da presidente.

Acostumado a produzir miniaturas de celebridades – já fez ao todo 119 bonecas desde 2005, entre elas de artistas como Shakira e Lady Gaga -, Marcus conta que a inspiração para esculpir a “barbie Dilma” veio durante uma entrevista, depois da confirmação da vitória da sucessora de Lula.

Para fazer a Dilma em miniatura, o artista plástico usou três bonecas.

- Como a Dilma é baixinha e cheinha, precisei de uma boneca também mais curtinha para usar da cintura para baixo. Da cintura para cima, usei uma outra com o corpo mais robusto. Precisei de outra barbie para a cabeça – conta ele, que, para dar o ar mais rechonchudo às bochechas da miniatura, precisou dar um choque térmico na boneca.

A “barbie Dilma” está vestida com a mesma roupa usada pela presidente na posse, não fosse por um detalhe: a troca do branco pelo vermelho.

- Comecei a fazer a boneca no dia em que Dilma ganhou a eleição. Quando eu iniciei, ela sempre estava de vermelho e li que os modelos eram do estilista Alexandre Herchcovitch. Vermelho também é a cor do PT. Quando eu já tinha terminado a boneca, no dia da posse, Dilma me aparece de pérola – diz ele aos risos. Leia mais aqui.

Após 8 anos, irmãos de Lula mantêm vida modesta

Da Folha de S.Paulo:

São Paulo – Vavá tinha 108 canários do reino, hoje não resta nenhum. O motivo: os ratos de telhado que invadiam o viveiro do seu sobrado na periferia de São Bernardo do Campo, Grande São Paulo. A casa simples onde mora Vavá, ou Genival Inácio da Silva, irmão do presidente Lula, é a mesma há 36 anos.

Às vésperas do segundo turno da eleição, ele conversou por uma hora com a Folha. De início, gritou para a mulher, que atendeu o portão, que não queria papo. Mas logo cedeu e convidou a reportagem a entrar.

Vavá, um dos seis irmãos vivos de Lula, no terraço de sua casa, em São Bernardo (SP)

Primeiro falou na apertada sala (5 m²), decorada com móveis tipo Casas Bahia, azulejo barato, uma TV grande e três quadros: uma foto oficial do presidente (com o autógrafo “Para o meu querido irmão Vavá, um abraço do Lula”); um retrato em preto e branco da mãe, dona Lindu; e um quadro bordado de uma mulher-anjo.

Depois, no terraço do primeiro andar nos fundos da casa, onde havia a criação, contou que os ratos arruinaram os canários e ele foi forçado a dar os que restaram. Personagem do noticiário em 2007, quando foi indiciado pela Polícia Federal por tráfico de influência e exploração de prestígio, na Operação Xeque-Mate (que investigou máfia de caça-níqueis), Vavá foi excluído da denúncia do Ministério Público. “Os caras pensam que a gente é milionário, quebraram a cara. Desmoralizam você, te jogam no lixo. Se não tiver cabeça, acabou.”

Aposentado como supervisor de transporte da Prefeitura de São Bernardo, pouco sai de casa. Ainda se ressente de seis cirurgias nos últimos anos (no fêmur e na coluna).

Dureza

A poucos dias de Lula deixar a Presidência, após oito anos no cargo, os seus seis irmãos vivos moram em situação semelhante à de Vavá, alguns com maior dureza. O primogênito, Jaime, 73, vive numa periferia pobre de São Bernardo, acorda diariamente às 4h30 e vai de ônibus para o trabalho, numa metalúrgica na Vila das Mercês, zona sul de São Paulo. Marinete, 72, a mais velha das mulheres, que foi doméstica na juventude e hoje não trabalha, é vizinha de Vavá.

Quando a Folha o entrevistava, ela surgiu no terraço dos fundos do seu sobrado, colado ao dele, para checar um contratempo. “Não tem água. Acabou a água da rua e estou sem água”, queixou-se. “Marinete do céu, nenhuma das duas [da rua ou do tanque]?”, questionou Vavá. O fotógrafo Lalo de Almeida subiu no muro para checar o registro da caixa d’água. “Ó o sujeito… Ah, você não vai subir, não. Filhinho de papai, não sabe subir em muro”, gracejou Marinete.

Vavá, 71, é o terceiro. É seguido por Frei Chico (José Ferreira da Silva), 68, o responsável por introduzir Lula no sindicalismo. Metalúrgico aposentado, Frei Chico recebe ainda uma indenização mensal de R$ 4.000 por ter sido preso e torturado na ditadura. Presta assessoria sindical e mora em São Caetano.

Maria, a Baixinha, 67, e Tiana (cujo nome de batismo é Ruth), 60, a caçula – Lula, 65, está entre as duas -, completam a família. A primeira vive no mesmo bairro que Vavá e Marinete e não trabalha; Tiana, merendeira numa escola pública, mora na zona leste de São Paulo. Esses são os sobreviventes dos 11 filhos de dona Lindu com o pai de Lula, Aristides – que teve vários outros filhos com outras mulheres.

Saúde

Todos os irmãos do presidente Lula têm problemas de saúde. Jaime e Maria enfrentaram cânceres. Frei Chico é cardíaco. Vavá tem complicações ósseas. Marinete está com uma doença grave que os irmãos não revelam. “Só tem o Lula bom ainda”, afirma Frei Chico.

Os parentes dizem não receber auxílio financeiro do presidente e não se queixam disso. “Ele não foi eleito presidente para ajudar a família. Seria ridículo se desse dinheiro”, declara Vavá. “Não tem o que dizer. O Lula tem a vida dele, temos a nossa. Ainda posso trabalhar, trabalho”, diz Jaime.

Frei Chico conta estar aliviado com o fim do mandato de Lula na Presidência. Ele acredita que vai cessar o assédio aos irmãos em busca de atalhos até o Planalto. “Para nós, só tem a melhorar. Vamos ficar mais tranquilos em relação à paparicagem. É muita gente enchendo o saco, gente que achava que a gente podia fazer alguma coisa”, afirma.

Os irmãos não têm ilusão de que, ao deixar Brasília, Lula seja assíduo nas reuniões familiares. “Estamos envelhecendo, a família vai chegando ao fim e assumem os filhos e sobrinhos, a família lateral”, diz Vavá.

O consolo é pensar que o irmão famoso estará mais perto. “Ele disse que não vê a hora de voltar [para São Bernardo] para descansar um pouco. Ele está muito cansado. O Lula tem trabalhado muito”, afirma Marinete.

Vox Populi: Dilma 54,5% X 45,5% Serra

Do IG:

São Paulo – A candidata do PT ao Palácio do Planalto, Dilma Rousseff, mantém a dianteira na preferência do eleitorado neste segundo turno, aponta nova pesquisa Vox Populi/iG divulgada nesta quarta-feira. O levantamento, primeiro realizado pelo instituto na segunda etapa da eleição presidencial, dá a Dilma 48% das intenções de voto, contra 40% registrados pelo adversário tucano José Serra.

Dilma Roussef comemorou ontem o Dia das Crianças em Brasília

Brancos e nulos totalizaram 6%, mesmo índice de indecisos. Se forem considerados somente os votos válidos, Dilma tem 54,5%, enquanto Serra ficaria com 45,4%. O número exclui da conta tanto os votos em branco ou nulos, quanto os indecisos. Esta última fatia do eleitorado, entretanto, ainda pode migrar para um ou outro candidato até a data da eleição.

A pesquisa Vox Populi/iG contou com 3.000 entrevistas, realizadas entre os dias 10 e 11 deste mês, em 214 municípios. A margem de erro da pesquisa é de 1,8.

A pouco menos de três semanas da eleição em segundo turno, a avaliação positiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva somou 78%. Na amostra, 17% consideraram o desempenho de Lula regular e 4% o avaliaram negativamente. Não souberam ou não responderam 1% dos entrevistados.

Debate

O levantamento mediu também o impacto do último debate entre presidenciáveis, realizado no último domingo pela Band. Entre os entrevistados, 22% disseram ter assistido ao debate, enquanto 77% disseram não ter visto o programa. Entre os que não assistiram, 39% disseram ter ouvido falar do debate e 60% não ouviram falar.

Entre os que assistiram ou tomaram conhecimento do debate, 37% disseram acreditar que Dilma saiu vitoriosa do confronto. Outros 32% deram a Serra a vitória no debate, enquanto 31% não souberam ou não responderam. Leia mais aqui.